A conferência de paz para o Kosovo, que se realiza no castelo de Rambouillet, perto de Paris, deu ontem uma guinada inesperada, com a assinatura unilateral por parte da delegação sérvia dos princípios do plano do Grupo de Contato para a província. Foi o que informaram ontem a televisão estatal sérvia e a emissora independente B-52, de Belgrado.
Segundo essas fontes, a delegação da Sérvia teria pedido que os representantes dos albaneses do Kosovo assinem também os termos de aceitação do plano de paz. Nos últimos dias, os sérvios haviam acusado os kosovares de buscar a independência da província, situada no sul da Iugoslávia.
Entre os pontos desse plano aceitos pela Sérvia, estão o reconhecimento da integridade territorial da República Federal da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro), um cessar-fogo e o início de uma fase de transição de três anos depois da qual se revisaria o status de Kosovo. O plano inclui também uma ampla autonomia para os kosovares.
A conferência começou no sábado passado e até agora as duas partes - sérvios e kosovares - vêm mantendo reuniões em separado. O anúncio sérvio foi feito depois que os mediadores ocidentais aumentaram a pressão sobre as partes em conflito, faltando apenas dois dias para a decisão sobre o êxito ou fracasso da conferência. Os Estados Unidos reiteraram ontem uma ameaça de represálias para o caso de um fracasso das conversações, em declarações da secretária de Estado norte-americana à televisão francesa.
Neste fim de semana, os ministros do Exterior dos seis países membros do Grupo Internacional de Contato para os Bálcãs - Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, Alemanha e Itália - devem fazer uma análise do estágio das conversações e decidir se ampliam a conferência por mais uma semana ou se proclamam o seu fracasso.
A delegação kosovar recusa-se a endossar o documento por temer que ele possa barrar a independência da região no futuro e exige que Belgrado assine formalmente um cessar-fogo.
Ontem, moradores do vilarejo de Racak enterraram os corpos de 40 vítimas do massacre ocorrido na região há quatro semanas. O crime é atribuído aos sérvios, mas as investigações ainda não foram concluídas.

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