Sérvios fazem o seu êxodo em Kosovo
Associated Press
Milhares de soldados da Otan ampliaram cuidadosamente ontem seu controle sobre Kosovo, visando a trazer alguma estabilidade à província destroçada pela guerra e ódio étnico e descobrir evidências de massacres étnicos. Enquanto forças de paz avançavam mais fundo em Kosovo, soldados iugoslavos continuavam com sua imposta retirada e milhares de sérvios fugiam, numa mistura de desafio com desespero. Um preeminente líder sérvio afirmou que cerca de 30 mil sérvios estavam partindo ontem.
Sérvios de Kosovo temem que a maioria albanesa étnica promova uma revanche sangrenta contra eles por anos de opressão e noticiadas atrocidades generalizadas. Refugiados que começaram a sair em massa de Kosovo após o início da campanha de bombardeios da Otan no final de março falavam que soldados e paramilitares sérvios estavam massacrando albaneses étnicos. Os relatos dos refugiados não puderam ser independentemente confirmados na época e uma das arrepiantes tarefas das forças de paz é descobrir o que realmente aconteceu. Ontem, elas investigaram cuidadosamente um cemitério na cidade de Kacanik, onde aparentemente existem 81 covas recentemente cavadas que contêm, segundo moradores locais, corpos de vítimas das atrocidades sérvias.
O capitão britânico Andy Reeds disse que investigadores de crimes de guerra serão chamados para examinar o local, 50 quilômetros ao sul de Pristina. Tropas de paz continuavam a desembarcar na destroçada província vindos das vizinhas Macedônia e Albânia, e oficiais disseram que mais de 14.300 soldados aliados haviam entrado em Kosovo até a manhã de ontem.
Um comboio de 1.200 fuzileiros navais dos EUA começaram a cruzar a fronteira logo ao sul de Kacanik nas primeiras horas da manhã, e forças americanas assumiram o controle da área, incluindo o local das covas, tomando-o de tropas britânicas. Um grupo de marines na principal rodovia que liga a Pristina assumiram posições de combate atrás de seus veículos quando ouviram tiros vindos de casas a 500 metros de distância. Eles disseram não acreditar que eram os alvos.
Todos estamos em alerta enquanto entramos, com a guarda levantada, disse o fuzileiro naval Will Rapier, 20 anos. Só queremos ver isto terminado para podermos voltar para casa. Apesar da tensão, os movimentos de tropas de hoje ocorreram sem a repetição das fatais confrontações de domingo, quando soldados mataram a tiros um sérvio em Pristina e forças alemãs assassinaram um homem e feriram outro depois que os homens dispararam contra eles de um carro na cidade de Prizren.





