Tendo por cenário um agravamento da violência com novos choques armados e atentados à bomba que deixaram pelo menos 12 mortos e dezenas de feridos, sérvios e albaneses étnicos apresentam-se hoje na capital francesa para negociar a paz em Kosovo numa nova e decisiva rodada das negociações.
A delegação albanesa, com 15 membros, foi a primeira a desembarcar. ‘‘Vou firmar o acordo’’, adiantou o líder moderado Ibrahim Rugova, dando a entender que as demais facções albanesas representadas na delegação farão o mesmo, incluindo o radical Exército de Libertação de Kosovo (ELK). A missão sérvia, também integrada de 15 pessoas, chegou em seguida. ‘‘Oferecemos aos albaneses uma grande autonomia’’, disse o líder sérvio Ratko Markoviv, para em seguida fazer uma ressalva: ‘‘Mas não vamos admitir, em nenhuma hipótese, tropas estrangeiras em nosso território.’’
AcordoO líder sérvio Ratko Markoviv (D) conversa com o embaixador da Iugoslávia na França, Bogdan TrifunovicEssa intransigência sérvia só aumentou o clima de pessimismo existente entre os promotores das conversações: os países membros do Grupo de Contato - EUA, Rússia, Grã-Bretanha, Itália, França e Alemanha.
A presença na província sérvia de uma força internacional de 30 mil homens, comandada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é considerada fundamental para execução das díficeis etapas do acordo apresentado às partes pelo Grupo de Contato.
‘‘O que a Otan pretende com essa exigência é estender sua hegemonia militar aos Bálcãs’’, insistiu, em Belgrado, Zoran Lilic, primeiro-ministro da Iugoslávia (federação composta pela Sérvia e por Montenegro). ‘‘Contudo, estamos dispostos a debater a forma de aplicação dos itens do acordo.’’

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