France PresseAviões bombardeiros B-52 dos EUA chegam à base no Reino Unido e esperam o fim do conflito de KosovoVisivelmente contrariada, a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright admitiu ontem não ter obtido acordo para encerrar o conflito de Kosovo - a província sérvia cuja população é, em sua maioria esmagadora, de origem albanesa.
‘‘Nenhuma das partes (albaneses étnicos e sérvios) disse sim ao plano de paz proposto pela comunidade internacional’’, lamentou Albright, que confirmou o novo ultimato, até terça-feira às 11 horas (horário de Brasília), lançado aos representantes de albaneses étnicos e sérvios pelo Grupo de Contato (Estados Unidos, Rússia, França Itália, Alemanha e Grã-Bretanha) para chegar a um entendimento.
Sobre a ameaça de bombardeio de alvos militares na Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) pela Força Aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Albright esclareceu: ‘‘Se nenhuma das partes diz sim’ (como é o caso), isso não vai acarretar uma ação militar contra os sérvios, mas vai exigir um esforço suplementar para levar a um entendimento completo.’
Chamado de ‘‘chicoteador dos sérvios’’ por suas claras simpatias com a causa dos albaneses étnicos, o chanceler britânico Robin Cook concordou com a colega norte-americana.
‘‘Os albaneses de Kosovo não devem esperar nenhum apoio militar da Otan se eles foram considerados culpados pelo fracasso das negociações de Rambouillet (castelo perto de Paris, onde ocorrem as conversações).’
Albright não escondia hoje seu desapontamento com a delegação albanesa (que acreditava ser mais flexível que a sérvia), que insiste na criação de dispositivos para a independência da província num prazo médio de três a cinco anos.
‘‘Representamos os anseios do povo de Kosovo e não vamos abrir mão de nossas reivindicações,’ reafirmou Hasim Taci, dirigente do Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
‘‘Albright sentiu-se traída pelos albaneses’’, comentou um funcionário do Departamento de Estado.
O plano apresentado às partes pelo Grupo de Contato é claro nesse aspecto: preserva a soberania sérvia sobre o território. Mas, ao mesmo tempo, oferece aos albaneses étnicos uma autonomia política igual ou ainda mais ampla daquela que eles dispunham em 1989 quando a Sérvia anexou Kosovo.
Os sérvios aceitam conceder uma ampla autonomia à região desde que não haja nenhuma alteração em suas fronteiras atuais. Mas rejeitam categoricamente uma imposição dos EUA: o acompanhamento da aplicação de todas as fases de um eventual acordo por uma força internacional de 30 mil homens, comandada pela Otan.
‘‘Os Estados Unidos consideram essa presença militar fundamental para a paz na região’’, insistiu Albright, que pretende permanecer na capital francesa até amanhã.
‘‘O presidente Slobodan Milosevic (da Iugoslávia) deveria aceitar o acordo proposto pela comunidade internacional porque se trata de um plano que mantém Kosovo dentro da Iugoslávia.’
Em Pristina, capital de Kosovo, a população, temendo um bombardeio, lotou os mercados no fim de semana para comprar e estocar alimentos. E os militares sérvios continuam reforçando posições no interior.

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