São Paulo - Três ataques deixaram ao menos 93 mortos e 165 feridos ontem na capital do Iraque, Bagdá. O Estado Islâmico (EI) reivindicou responsabilidade pelas três explosões. Em meses recentes, a facção terrorista perdeu alguns dos territórios que havia conquistado em 2014. A carnificina desta quarta, no entanto, demonstra a habilidade da milícia em lançar ações terroristas em todo o país.
No ataque mais mortífero, uma caminhonete carregada de explosivos deixou 63 mortos e 85 feridos ao ser detonada perto de um salão de beleza em um movimentado mercado no bairro xiita de Cidade Sadr. Muitas das vítimas são mulheres, incluindo noivas que se preparavam para seus casamentos, segundo fontes informaram à Reuters. Perucas, sapatos e brinquedos ficaram espalhados na área. Pelo menos dois carros foram destruídos na explosão. Em comunicado divulgado na internet por apoiadores, o EI afirmou que tinha como foco militantes xiitas reunidos na área.
Posteriormente, outro carro-bomba explodiu nas proximidades de uma delegacia no bairro de Kadhimiyah, noroeste de Bagdá, deixando 18 mortos e 34 feridos. No norte da capital, uma terceira explosão de carro-bomba no bairro de Jamiya matou 12 e feriu 46. Alvo de explosões diárias na década passada, Bagdá teve uma melhora em sua segurança, mas a violência contra forças de segurança e civis xiitas ainda é frequente.

CRISE
Os novos atos de violência podem intensificar a pressão sobre o primeiro-ministro, Haider al-Abadi, que se vê em meio a uma crise política. Entre os legisladores iraquianos há quem diga que o impasse político tem distraído a guerra contra o EI no país.
Depois do ataque, os moradores de Cidade Sadr protestaram contra o governo, que é apontado como o culpado pela insegurança. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), pelo menos 741 iraquianos foram mortos no mês de abril devido à violência no país, 410 deles civis. Em março, o número de mortos ultrapassou 1,1 mil.

mockup