LIMA - A captura de cerca de 400 reféns na residência do embaixador do Japão em Lima, na noite de terça-feira passada, é uma operação de grande porte elaborada há mais de um ano pelo Movimento Revolucionário Tupac Amaru, que há muito pretendia cometer golpes inesperados e espetaculares.
A violenta captura da residência japonesa fez renascer das cinzas a guerrilha Tupac Amaru fundada em 1985, que estava agonizante desde 1992 e, há pouco mais de um ano, segundo o governo, recebeu o tiro de misericórdia por parte da polícia antiterrorista.
Em primeiro de dezembro de 1995, a polícia detectou um plano do MRTA prestes a ser executado e que consistia em atacar o Congresso da República, tomar os 120 legisladores como reféns e pedir a libertação de seus 500 companheiros presos.
Numa grande operação, a polícia cercou uma residência no exclusivo bairro La Molina, Leste de Lima, e convenceu com êxito um comando do MRTA a libertar os membros de uma família que foram tomados como reféns.
O plano de ataque ao Congresso, com detalhes precisos sobre as mudanças de guarda e movimentos dos principais congressistas do oficialismo, foi encontrado.
A operação estava sendo preparada por Miguel Rincón Rincón, ‘‘comandante Francisco’’, o terceiro líder em hierarquia dentro do MRTA, agora condenado à prisão perpétua.
Uma jovem americana, identificada como Lori Berenson, 26 anos, também sentenciada à prisão perpétua, participava dos planos e foi detida nas imediações do Congresso quando realizava uma missão de ‘‘vigilância’’ do prédio do parlamento.
Esse plano estava sendo preparado há meses e revelava o que era uma obsessão do MRTA: a captura de reféns, ação que tinha o objetivo duplo de, por um lado, libertar sua cúpula, liderada por Víctor Polay Campos - o fundador do grupo - e, por outro, ressuscitar politicamente a organização, com um audacioso golpe de repercussão na imprensa nacional e internacional.

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