LIMA - O ataque do MRTA à casa do embaixador japonês, Morihisa Aoki, que permanece entre os 103 reféns mantidos em cativeiro desde o dia 17, provocou estragos na diplomacia peruana, principalmente em relação aos vizinhos
latino-americanos. A crise entrou no décimo dia com o presidente Alberto Fujimori tendo suas decisões sob uma espécie de vigilância permanente dos governos do Japão, por meio do chanceler Yukihiko Ikeda, e da Malásia, que enviou a Lima o chanceler Abdullah Ahmad Badawi para saber da situação do embaixador malaio, que está entre os reféns.
Mas a maior crise se estabeleceu depois que a Justiça uruguaia decidiu libertar o casal acusado de participar da guerrilha peruana, Luis Alberto Samaniego e Silvia Gora Ribera, presos em Montevidéo havia um ano. O episódio deflagrou um incidente diplomático que levou o Peru a chamar de volta o representante no Uruguai, Efraim Saavedra, para dar explicações sobre o assunto.
‘‘Estamos fazendo uma avaliação dos acontecimentos’’, afirmou ontem o diplomata Eduardo Martinetti, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Peru. Ele disse que o vice-chanceler Jorge Voto Bernales, que executa as funções antes exercidas pelo refém Francisco Tudela, não tinha qualquer comentário a fazer sobre eventuais crises diplomáticas.
Tratando de diminuir o impacto das discordâncias existentes entre os dois governos, Martinetti disse ainda que a posição brasileira, que retirou o embaixador Carlos Luis Coutinho Peres logo após a libertação dele, não consiste um problema primordial.
Para Martinetti, as posições de Brasil, Uruguai e Guatemala, cujo embaixador José Maria Argueta foi libertado quinta-feira, não representam problemas para o país. Argueta foi solto pelo MRTA num ato que aponta para uma tentativa do comando da guerrilha peruana de isolar ainda mais o governo Fujimori, fazendo pressão de fora para dentro.

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