Sequestro termina com mais de 140 mortos
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sábado, 26 de outubro de 2002
Das Agências 
Moscou - A operação que resultou na libertação de mais de 750 reféns mantidos por um grupo rebelde checheno em um teatro em Moscou terminou de forma dramática. Na ação morreram mais de 90 reféns e 50 sequestradores, entre eles 18 mulheres, informou ontem o ministério russo da saúde citado pela agência Interfax.
A Spetznaz (força especial) não sofreu nenhuma baixa durante o resgate, o que mostra que a operação foi muito bem preparada.
Vassiliev negou que os reféns tenham sido mortos durante a invasão das forças especiais russas e sim pelos rebeldes, que cumpriram a ameaça de atirar nos civis. Cerca de 300 reféns estão hospitalizados, muitos em estado grave. Alguns sofreram paradas cardíacas por causa do gás usado pelas tropas russas, informou uma autoridade do hospital municipal nº 13, onde parte das vítimas está internada.
As tropas russas invadiram o prédio depois que disparos e explosões foram ouvidos do lado de fora do edifício. Antes da ação, que durou cerca de uma hora, eles injetaram um gás sonífero no interior do teatro. O líder do grupo rebelde, intitulado Comando Suicida da 29 Divisão, Movsar Baraiev, e todas as mulheres que carregavam cinturões com explosivos foram mortos.
Vassiliev informou ainda que dois rebeldes conseguiram escapar durante a operação e ainda não foram capturados. Os outros que sobreviveram foram presos pelo FSB (serviço secreto russo).
As redes de televisão russa mostraram rapidamente o interior do teatro, onde vários corpos dos membros do comando, homens e mulheres, puderam ser vistos em sofás manchados de sangue. Explosivos ainda estavam presos a cadeiras e uma bomba artesanal jazia no meio da sala.
Centenas de reféns, totalmente abalados, foram levados para vários hospitais de Moscou. Seus familiares, que mostravam salvo-condutos, apresentaram-se às dezenas para visitá-los.
O presidente russo Vladimir Putin, cuja posição intransigente frente aos separatistas chechenos tinha sido questionada durante a crise dos reféns, visitou ontem algumas das pessoas hospitalizadas, mas não comentou o resultado da operação.
Apesar de ter dito que a prioridade era salvar a vida dos reféns, Putin não fez nenhuma concessão ao comando que exigia o fim da guerra na Chechênia e a rápida retirada das forças russas da república separatista.
O vice-ministro russo do Interior Vladimir Vassiliev afirmou que foram usados ''meios especiais'' durante a operação para neutralizar as mulheres suicidas do comando checheno, que carregavam cinturões explosivos.
Segundo testemunhas, as forças especiais recorreram a um gás que incapacita os que o inalam. Vassiliev desmentiu que a maioria das vítimas entre os reféns mortos era devido aos ''meios especiais''.
O diplomata australiano Kevin Magge informou que nenhum dos 75 estrangeiros, 43 de países ocidentais, que estavam em poder dos rebeldes chechenos foram mortos na operação.
Ameaça Os rebeldes chechenos ameaçavam matar os reféns ontem se o presidente russo, Vladimir Putin, não cumprisse a exigência de retirar as tropas da Província separatista da Chechênia, ao sul da Rússia. O prazo para o cumprimento da exigência venceria na manhã de ontem (início da madrugada em Brasília). Segundo Anna Politkovskaya, uma jornalista que atuava como negociadora, os rebeldes alertaram que ''tomariam sérias medidas'' a partir das 6 horas de ontem (23 horas de sexta-feira, em Brasília).
Os rebeldes chegaram ainda a matar uma mulher que tentava fugir. O corpo dela foi retirado na sexta-feira à tarde, com tiros no peito e na mão. Duas outras conseguiram escapar.


