São Paulo- Homens armados disfarçados de policiais iraquianos sequestraram ontem um número que pode chegar a até 150 pessoas entre membros de um instituto de pesquisa do governo no centro de Bagdá, de acordo com informações do líder do comitê de educação do Parlamento.
Em uma cidade onde a ação de sequestradores se tornou comum, esse pode ser o maior sequestro em massa do Iraque desde o início da guerra.
O líder do comitê, Alaa Makki, interrompeu a sessão de ontem do Parlamento para anunciar que entre cem e 150 pessoas, tanto xiitas quanto sunitas, foram sequestradas no ataque, perpetrado às 9h30 de ontem.
Ele pediu uma ação rápida do premiê, Nouri al Maliki, e dos ministros do interior iraquianos para responder ao que chamou de ''catástrofe nacional''.
Segundo Makki, os homens, todos armados, possuíam uma lista de nomes de pessoas para serem capturadas, e disseram estar em uma missão do grupo anticorrupção do governo. Entre os detidos estão vice-diretores gerais, empregados e até visitantes, de acordo com o relato do líder.
A polícia local e testemunhas afirmaram que o bando bloqueou as vias no entorno do instituto, que fica no distrito central de Karradah, por volta das 9h30. O porta-voz da polícia major Mahir Hamad disse que o ataque durou cerca de 20 minutos apenas.
Quatro guardas que faziam a segurança do instituto de pesquisa não ofereceram resistência e foram desarmados, segundo Hamad. Não há relato de mortos ou feridos no ataque.
Uma professora que visitava o local na hora dos sequestros disse que o bando forçou homens e mulheres a entrarem em salas separadas, os algemaram, e depois levaram as vítimas em cerca de seis caminhonetes. Ela disse que os atacantes, vários dos quais usavam máscaras, vestiam uniformes de camuflagem azul do mesmo tipo usado por comandos policiais em Bagdá.
Os sequestros aparentemente são parte de uma série de assassinatos e outros ataques perpetrados recentemente contra acadêmicos iraquianos, que têm forçado milhares de professores e pesquisadores a fugir para países vizinhos. Desde o início da guerra, ao menos 155 educadores já foram assassinados.
Especula-se que os acadêmicos foram escolhidos por seu status relativamente alto no serviço público, vulnerabilidade e visões conhecidas em assuntos controversos em meio a um aprofundamento do fundamentalismo islâmico no Iraque.
Ali al Adib, um congressista xiita, disse que não havia dúvidas de que o incidente de ontem foi um sequestro em massa, e exigiu que as tropas americanas no Iraque fossem responsabilizadas pelas falhas na segurança.

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