Associated Press
e France Presse
De Stansted, Inglaterra
As autoridades britânicas mantinham ontem negociações pelo segundo dia com o grupo armado que sequestrou um avião da companhia afegã Ariana Airlines no domingo e o desviou na segunda-feira para o aeroporto londrino de Stansted, a 80 km ao norte de Londres.
As exigências dos sequestradores ainda não estavam claras, mas John Broughton, vice-chefe da polícia de Essex, disse que a possibilidade de eles terem desviado o avião à Grã-Bretanha como parte de um plano para obter asilo estava sendo considerada.
Indagado sobre um eventual pedido de asilo, Broughton disse: ‘‘Em se falando sobre possibilidades, várias questões foram levantadas.’’
A agência afegã AIP havia informado na segunda-feira que o grupo busca a libertação do líder da oposição Ismail Khan. Mas, até ontem, os sequestradores, possivelmente seis, pediram apenas comida, água, remédios e a limpeza dos banheiros do avião.
Um passageiro doente foi libertado ontem. Vestido com uma tradicional túnica afegã, ele desceu do avião com os braços para cima e foi recebido pela polícia que, sem dar maiores detalhes, informou que o homem foi encaminhado para tratamento médico. Oito pessoas foram libertadas na segunda-feira e outras 22 durante as paradas que o avião fez no domingo no Casaquistão, Usbequistão e Rússia.
Os negociadores britânicos vêm travando uma verdadeira guerra de nervos com os sequestradores que ainda mantinha ontem 157 pessoas como reféns, muitas com problemas estomacais.
Apesar de a negociação ter sido escolhida como a principal opção, soldados do Serviço Aéreo Especial (SAS) foram postos de alerta. Uma missão de resgate só seria realizada se a vida dos passageiros estiver em perigo iminente, disseram autoridades.
Segundo a polícia britânica, o grupo de sequestradores ‘‘não fez nenhuma exigência específica, nem ameaças’’, depois de tomar o avião no domingo, levando-o a Stansted, 80 km ao norte de Londres, após escalas na Ásia Central e Moscou.
Em Cabul, o regime dos talibans acusa o comandante Ahmed Shah Massud, último chefe da oposição afegã, de estar implicado no sequestro do Boeing da companhia Ariana.