Sequestrador é baleado em Luxemburgo
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quinta-feira, 01 de junho de 2000
Associated Press De Wasserbillig 
Um atirador de elite da polícia baleou ontem um sequestrador fortemente armado, pondo fim a um drama de 30 horas para 25 crianças e três professores que ele mantinha sob a mira de suas armas num jardim de infância.
Algumas arrastando brinquedos, outras abraçadas aos pais, as crianças retornaram em segurança para suas casas. Nenhum refém ficou ferido.
Autoridades locais prometeram ao sequestrador que ele daria uma entrevista à televisão, atraindo-o para um local onde atiradores de elite tinham uma clara visão dele.
A idéia era simular uma entrevista, disse o ministro de Interior de Luxemburgo, Michel Wolter. Ele queria falar para todo o mundo.
Com policiais fingindo ser cinegrafistas e jornalistas, o homem saiu com uma criança em um braço, em um ato que favoreceu a ação dos oficiais. Ele não tinha uma mão livre para ativar a granada, disse Wolter.
Naquele momento ele recebeu um tiro na cabeça. O primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, disse que o sequestrador queria fugir num carro com três reféns, o que forçou a polícia a agir.
Juncker informou que o homem apresentava condições críticas de saúde e estava internado em um hospital. Segundo a polícia, o homem de 39 anos tinha problemas mentais. Moradores da pequena cidade nas proximidades da fronteira com a Alemanha disseram que ele responsabilizava a escola maternal por ele ter perdido a custódia de seus dois filhos, depois de separar-se da mulher.
O homem exigira que ele e os reféns fossem levados ontem para um aeroporto de Luxemburgo a fim de voar para a Líbia. Ele deu um ultimato para que fosse colocado à sua disposição um microônibus. Mas a hora estabelecida passou e nada ocorreu.
A tensão aumentou novamente quando o homem, um luxemburguês de origem tunisiana, apareceu numa janela do último andar do jardim de infância e agitou seu revólver e uma granada de mão ao lado de um desenho de um ursinho.
O rápido final da crise provocou uma explosão de alegria e alívio entre os policiais, que falaram por rádio aos pais que seus filhos estavam sãos e salvos.
É indescritível a alegria dos pais quando reencontraram seus filhos, disse José Lello, secretário de Estado para Comunidades Expatriadas de Portugal. O governo português acompanhou de perto a crise uma vez que várias das crianças eram de origem portuguesa.
Os primeiros pais e filhos que deixaram a escola foram recebidos com aplausos por curiosos. A maioria das crianças, entre dois e 11 anos, parecia desconcertada com toda a atenção. A maioria sorria.
Os educadores fizeram um trabalho extraordinário. Eles brincaram com as crianças, as mantiveram atarefadas o tempo todo para que não ficassem traumatizadas, disse Lelo.
O sequestrador capturou 37 crianças na quarta-feira na escola maternal em Wasserbillig, uma cidade de 2.300 habitantes do leste de Luxemburgo. Uma professora conseguiu escapar com seis ou sete crianças logo depois que o sequestrador entrou no prédio.
Na noite de quarta-feira, o homem libertou oito crianças, que foram devolvidas aos pais em boas condições. Ele então exigiu um avião e o equivalente a US$ 1,38 milhão, mas mais tarde abandonou o pedido do dinheiro.


