Separadas as siamesas do Nepal
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terça-feira, 10 de abril de 2001
Chris Foley France Presse Da Cidade de Cingapura 
Uma intervenção cirúrgica de mais de 90 horas, ou seja, quase quatro dias, foi realizada por uma equipe médica de Cingapura para separar duas irmãs siamesas naturais do Nepal. A intervenção foi um sucesso e os bebês se encontram em um estado estável, declarou à AFP um porta-voz do Hospital Geral de Cingapura, onde foi realizada a maratônica cirurgia.
As meninas Ganga e Jamuna Shrestha, nascidas há onze meses no Nepal, estavam juntas pela cabeça, um caso excepcional, e compartilhavam uma parte do cérebro.
A operação começou na sexta-feira passada, à tarde, e, segundo as previsões iniciais dos médicos, devia durar cerca de 36 horas. Mas a separação dos dois organismos e a reconexão dos vasos sanguíneos demorou muito mais do que o previsto. A intervenção terminou esta manhã, declarou ontem o porta-voz do hospital, sem precisar a hora exata.
Jamuna foi a primeira a deixar a mesa de operações, depois de ter sido submetida a uma última operação de cirurgia plástica destinada a fechar a abertura do crânio. Foi transferida em seguida para a unidade de terapia intensiva às 11h10 de ontem, ou seja, exatamente 91 horas depois de iniciada a operação. Sua irmã será transferida para a mesma unidade à tarde, acrescentou o porta-voz.
A imprensa foi autorizada a fotografar Jamuna quando a menina saía da sala de operações, mas não sua irmã, já que os flashes das câmeras fotográficas ofereciam um risco de afetar o funcionamento dos aparelhos médicos, precisou o porta-voz.
Os médicos utilizaram lâminas de polímero para recobrir o crânio dos dois bebês e servir de base para o crescimento de novas células. Estas se transformarão pouco a pouco em osso e recobrirão todo o crânio ao final de um ano, precisou o hospital.
Os neurocirurgiões trabalharam sem interrupção utilizando a imagem computadorizada em três dimensões do cérebro e do sistema sanguíneo e nervoso dos dois bebês.
A operação, que custou 100.000 dólares cingapurianos (56.000 dólares americanos), foi financiada por doações, que chegaram a 650.000 dólares locais. A soma restante será destinada a financiar o tratamento suplementar de que as crianças sem dúvida necessitarão.
Os pais das siamesas, originários de um povoado da montanha nepalesa, não tinham meios de financiar a operação.
A separação de siameses unidos pela cabeça é sumamente rara. A mais recente, realizada com êxito, foi feita em outubro passado, em Brisbane, Austrália. Em 1997, outra operação deste tipo aconteceu na África do Sul.


