Washington, EUA - Nos 14 anos em que serviu no Legislativo da Califórnia, o senador estadual republicano conservador Roy Ashburn votou contra todas as propostas de lei apresentadas para expandir direitos legais para homossexuais, desde o reconhecimento do casamento gay até a instituição de um feriado em homenagem ao ativista Harvey Milk. Pois ontem, Ashburn, 55, divorciado e pai de quatro filhas, assumiu em entrevista a uma rádio que é gay.
A revelação ocorreu pouco após uma explosão de rumores em torno de sua prisão por dirigir embriagado na madrugada do último dia 3. Quando foi parado pela polícia, o senador estava em um carro do governo depois de sair de uma boate gay em Sacramento ao lado de um homem não identificado.
Na rádio, Ashburn não esperou pela pergunta: ''Sou gay. E eu... essas são as palavras que foram tão difíceis para mim por tanto tempo'', disse. ''Sempre pensei que isso não alteraria a forma como faço meu trabalho. Mas depois das minhas ações na última semana, isso não é mais possível.''
Ashburn se vê agora em meio a uma chuva de críticas por hipocrisia. Suas posições o levaram a receber repetidamente nota zero do grupo Equality Califórnia, que defende a expansão de direitos gays e avalia políticos por seu apoio à causa.
O diretor do grupo, Geoff Kors, afirmou esperar que a revelação leve Ashburn a votar de outra forma. ''Espero que seu reconhecimento de si mesmo faça com que ele pare de negar às pessoas os direitos mais básicos'', disse. Mas, para Ashburn, os votos refletem o que o seu eleitorado pensa, e essa posição não muda após a declaração.
O senador da Califórnia está longe de ser o único gay a votar contra direitos homossexuais. A situação é tão comum que deu origem a um documentário, ''Outrage'' (2009), do diretor Kirby Dick, que mostra vários políticos supostamente gays que votam continuamente contra leis que ampliariam direitos de homossexuais nos EUA.

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