Senado retoma julgamento de Clinton
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Reuters 
Depois do recesso iniciado há uma semana, o tribunal instalado no Senado para julgar o impeachment do presidente norte-americano, Bill Clinton, retoma hoje suas sessões, nas quais decidirá os próximos passos do processo.
Os senadores devem determinar se atendem ao pedido do deputado republicano Henry Hyde, líder da comissão de parlamentares que atua como promotor no julgamento, para que a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, o amigo de Clinton, Vernon Jordan e o assessor da Casa Branca Sidney Blumenthal voltem a testemunhar no processo, desta vez, em audiências abertas.
Os três depuseram de segunda-feira até ontem a portas fechadas, diante dos promotores e dos advogados de Clinton. Os testemunhos foram gravados em videoteipe e apresentado aos senadores que se dispuseram a ouvi-los.
France PresseMonica após depor na terçaCongressistas dos dois partidos coincidiram em afirmar que os depoimentos não trouxeram nenhuma novidade sobre o caso, dando a entender que uma nova convocação dificilmente seria aprovada pelo plenário.
Os senadores votarão também, hoje, se autorizam ou não a divulgação pública da transcrição ou das fitas dos depoimentos.
Depois de assistir a 3 horas e 40 minutos do depoimento de Monica, não creio que ela ainda tenha algo novo para oferecer ao debate sobre o tema, declarou o senador republicano Charles Grassley, adiantando que votará contra a nova convocação.
(A exibição) é mais longa do que a de Titanic e a trama é um pouco mais tediosa, ironizou outro republicano, que não quis ter seu nome divulgado, sobre o vídeo do testemunho de Monica, exibido para os senadores na terça-feira. Além disso, não pudemos levar sacos de pipoca para a sala.
Embora tenham a maioria no Senado (55 cadeiras), os republicanos não têm os dois terços de votos (67 do total de 100) exigidos para destituir Clinton pelas acusações de perjúrio e obstrução da Justiça, delitos supostamente cometidos para ocultar a natureza sexual do relacionamento do presidente com Monica.
Se não houver novos testemunhos, a sentença deve sair até o dia 12.
Pesquisa do New York Times/CBS mostra que a maioria dos entrevistados acredita que o voto de destituição da Câmara foi um castigo suficiente para o presidente Clinton e apóia uma moção de censura contra o mandatário.
Se os comentários sobre o filme com Lewinski foram negativos, a protagonista recebeu, ao contrário, grandes elogios.
Monica me pareceu muito fotogênica e com uma presença impressionante, afirmou a senadora Susan Collins. Jovem, confiante, vulnerável, disse seu colega republicano Orrin Hatch.
Inteligente e bem preparada: se comportou muito bem, concordou o senador Larry Craig.
A experiência adquirida pela ex-estagiária em suas declarações anteriores foi sentida. Lewinsky mostrou-se muito precisa em suas respostas, sem vacilações, e várias vezes pediu a quem a interrogava se poderia formular a pergunta de maneira mais clara.
A jovem não teve de falar dos detalhes íntimos de sua relação com Clinton. Umas poucas vezes o interrogante se aproximou da questão sexual com suas perguntas, mas foi parado de imediato pelos advogados de Lewinsky.
Para ver a gravação os senadores e seus auxiliares tiveram de assinar primeiro um documento se comprometendo a não divulgar o conteúdo das declarações de Lewinsky, sob pena de severos castigos.


