Senado decide ouvir o depoimento de Monica
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Reuters 
Em duas votações sucessivas, nominais e rápidas, o Senado americano decidiu ontem que o processo de impeachment contra o presidente Bill Clinton não será arquivado e o julgamento continuará com a convocação de três testemunhas: a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, o advogado de Washington Vernon Jordan e o assessor da presidência Sidney Blumenthal.
O resultado numérico das duas votações foi o mesmo: 56 senadores votaram pelo não-arquivamento do processo e pela convocação das testemunhas; 44 votaram pelo fim do julgamento e, depois, pela dispensa de novas audiências, com o objetivo de apressar a votação da sentença.
Esses números revelam o caráter partidário do processo que se desenvolve no Senado, onde os republicanos ocupam 55 cadeiras e os democratas, 45. O único senador da situação que votou com a oposição republicana hoje foi Russ Feingold, do Estado de Wisconsin.
Para aprovar a destituição de Clinton, porém, os republicanos precisarão de maioria de dois terços (ou 67 votos dos 100 senadores), e a votação de ontem indicou que dificilmente eles conseguirão convencer pelo menos 12 democratas a remover da Casa Branca um dos mais populares e bem-sucedidos presidentes deste século.
O que vemos aqui é uma tentativa partidária dos republicanos de acabar politicamente com um presidente democraticamente eleito, disse, depois das votações, o líder da minoria democrata no Senado, Tom Daschle.
Ele assinalou que o voto dos 44 senadores que ficaram ao lado de Clinton é suficiente para impedir o impeachment do presidente. É hora de terminarmos com isso, acrescentou.
Clinton é acusado de ter cometido perjúrio e obstrução da Justiça para ocultar a natureza sexual de seu relacionamento com Monica. A estratégia de sua equipe de defesa no Senado é convencer o júri (no caso, os senadores) de que o mecanismo constitucional de destituir presidentes não pode ser acionado para punir faltas pessoais.


