Senado decide não chamar testemunhas
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Paulo Sotero Agência Estado 
Depois de ter perdido todas as oportunidades que se apresentaram ao longo dos últimos meses para encerrar a novela político-sexual que levou ao segundo processo de destituição de um ocupante da Casa Branca, o Congresso dos Estados Unidos parecia, ontem, próximo de atender ao desejo da maioria esmagadora dos norte-americanos e pôr o julgamento do impeachment do presidente Bill Clinton na reta final.
Essa perspectiva foi aberta depois de uma reunião dos 55 senadores republicanos, na qual eles constataram que não havia os 51 votos necessários para aprovar a convocação de testemunhas para depor no Senado sobre o sórdido enredo que levou a Câmara dos Representantes a acusar Clinton de perjúrio e obstrução da Justiça, em dezembro, por causa das mentiras que contou para esconder seu caso com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.
A votação do fim da tarde, na qual a proposta de convocar testemunhas para novas audiências foi derrotada por 70 votos a 30, pode levar à conclusão do julgamento dentro de uma semana, nos dias 11 ou 12, com a votação dos dois artigos de impeachment e a absolvição de Clinton, pois não há o mínimo de 67 votos (ou dois terços) necessários para condená-lo e removê-lo do poder.
Pelo menos sete senadores republicanos manifestaram sua oposição ao pedido dos deputados de seu partido que atuam como promotores do impeachment de intimar Monica, o advogado Vernon Jordan, que é amigo de Clinton, e Sidney Blumenthal, um conselheiro presidencial, no plenário do Senado.
Entre a segunda e a quarta-feira, os três respoderam separadamente ao interrogatório dos deputados-promotores, em sessões gravadas em videoteipe, sem dar uma única informação nova. Grupos de senadores viram os teipes dos depoimentos. Um deles disse que o mais difícil foi ficar acordado, de tão repetitivos e aborrecidos os depoimentos.
A idéia de buscar uma solução intermediária e evitar a absolvição de Clinton inspirou algumas propostas alternativas, mas nenhuma delas parecia ter ganho apoio.
De acordo com uma iniciativa da senadora Susan Collins, do Maine, em lugar de pronunciar-se sobre os crimes mencionados pelos artigos de impeachment aprovados pela Câmara, os senadores deveriam encerrar o julgamento sem um veredicto e aprovar, em seu lugar, uma resolução afirmando que consideram Clinton culpado dos crimes dos quais o presidente foi acusado e condenam seu comportamento. Essa solução manteria o presidente na Casa Branca, mas registraria ao mesmo tempo o sentimento de repúdio do país em relação à sua conduta.
Mas a minoria democrata contestou a constitucionalidade da iniciativa e ela parecia ter sido esquecida ontem à tarde. O cenário mais provável, agora, é a votação dos dois artigos de impeachment na próxima semana, seguida da aprovação posterior de uma moção de censura a Clinton.
De um jeito ou de outro, o vexaminoso episódio, que empobreceu a vida pública dos Estados Unidos e desgastou as instituições do país parece estar próximo do fim, para alívio dos norte-americanos.


