Senado barra emergência nacional de Trump
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quinta-feira, 14 de março de 2019
Marina Dias <br> Folhapress 
Washington - O Senado americano aprovou nesta quinta-feira (14) uma resolução que barra a declaração de emergência nacional nos Estados Unidos, decretada por Donald Trump em fevereiro. O presidente, porém, deve usar pela primeira vez seu poder de veto para reverter a medida, o que pode refletir perda de controle do Legislativo, inclusive dentro de seu partido, em votações fundamentais para o governo.
A aprovação do texto no Senado - de maioria republicana - só foi possível pela dissidência de parlamentares do partido de Trump, que votaram junto com democratas por barrar a emergência nacional apesar da pressão do presidente, feita em público e nos bastidores.
Em 15 de fevereiro, Trump decretou emergência nacional para poder remanejar recursos do orçamento e financiar sua principal promessa de campanha - o muro na fronteira dos EUA com o México. A medida, porém, foi duramente criticada pela oposição, formada pelo Partido Democrata, mas também por alguns republicanos, que veem o gesto como inconstitucional.
Os senadores Thom Tillis, da Carolina do Norte, Susan Collins, do Maine, Lisa Murkowski, do Alasca, e Rand Paul, do Kentucky, por exemplo, já haviam emitido opiniões contrárias à emergência nacional antes da votação. Após Trump publicar em uma rede social nova pressão, nesta quinta, outros republicanos se juntaram a eles. Muitos congressistas argumentam que o decreto extrapola a autoridade do presidente.
Pela manhã, Trump escreveu que este era um voto "pelo crime" e por Nancy Pelosi, democrata presidente da Câmara que é contrária à emergência nacional e à construção do muro. No fim da semana passada, o senador republicano John Barrasso havia informado à Fox News que encontrou Trump algumas vezes e que "ele vai vetar a medida, e seu veto será sustentado". A declaração - antes mesmo da votação - foi vista como uma admissão de que o Partido Republicano não tinha força para impedir que o Senado votasse para anular a ordem de emergência nacional de Trump, o que aconteceu nesta quinta.
Entre os deputados em fevereiro, o texto passou com 245 votos contra 182. A margem, porém, não é suficiente para impedir o veto do presidente - são necessários dois terços em cada Casa para anular o veto presidencial - 290 deputados e 67 senadores.


