São Paulo - O Senado do Paraguai decretou ontem o impeachment do presidente Fernando Lugo. Na votação final, 39 senadores votaram a favor da condenação do presidente, enquanto apenas quatro se declararam contra. Outros dois ficaram ausentes.
O liberal Federico Franco, atual vice-presidente, que mantinha uma tensa relação com Lugo, deve assumir a Presidência até agosto de 2013, segundo a Constituição local, o que deve provocar uma mudança na orientação ideológica do governo.
Em entrevista ao canal de televisão Telesur, o chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que os presidentes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) vão se reunir nas próximas horas e condenou o processo político. ''O processo foi totalmente violado. O presidente foi condenado sem prova alguma.''
Mais cedo, Lugo havia afirmado que acataria o julgamento político no Congresso que poderia provocar a sua destituição, mas advertiu que impulsionaria uma resistência ''a partir de outras instâncias organizacionais'', em declarações à Rádio 10 argentina.
''É preciso acatá-lo (o julgamento político), é um mecanismo constitucional, mas a partir de outras instâncias organizacionais certamente decidiremos fazer uma resistência para que o âmbito democrático e participativo do Paraguai vá se consolidando'', afirmou Lugo.
A defesa de Lugo apontou uma ''clara violação'' do procedimento jurídico no julgamento de impeachment do líder paraguaio na sessão extraordinária do Congresso paraguaio. Com duas horas para fazer a defesa do presidente no Congresso, o advogado Enrique García concentrou sua argumentação no que identificou como falhas do julgamento: a celeridade do processo e a ausência de uma regra anterior para definir os procedimentos do impeachment.
Lugo foi considerado responsável por confrontos entre policiais e sem-terra. Um confronto armado deixou seis agentes e 11 camponeses mortos na sexta-feira passada em Curuguaty, a 250 km de Assunção.

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