A lei das 35 horas de trabalho semanal adotada na França para aumentar o nível de ocupação resultou num maior aproveitamento do tempo livre, segundo uma pesquisa do jornal France Soir.
Os 4,5 milhões de franceses que aproveitam o horário reduzido de trabalho implantado sob a inspiração da ex-ministra Martine Aubry se cuidam mais, compram segundas casas, vão à academia, viajam, fazem artesanato em sua casa e trabalho voluntário.
Segundo o jornal, faz um ano que as estações ferroviárias, aeroportos e rodovias se enchem de trânsito e de gente não mais na sexta-feira à noite, para as tradicionais partidas para os programas de final de semana, e sim na tarde da quinta-feira. Ao mesmo tempo, o regresso passou a ser na terça-feira para quem saiu na sexta.
Houve aumento de 11% na venda das segundas casas, de campo ou de praia. Na quarta-feira, dia em que os estudantes franceses não vão à escola, a circulação pela cidade é mais fácil porque as mães que trabalham 35 horas escolhem esse dia para ficar com os filhos.
‘‘Finalmente tenho a sensação de ver minhas filhas crescerem’’, diz Nadie, entrevistada pelo jornal. ‘‘Na quarta-feira saímos para fazer compras e cozinhamos juntas.’’
A maioria dos homens usa seu novo tempo livre para os tradicionais consertos domésticos ou para a jardinagem. Mas todos os setores do mundo da diversão e da cultura aproveitam positivamente a lei das 35 horas que, por outro lado, ainda tem muitos problemas de aplicação nas pequenas e médias empresas.
As pessoas vão mais ao cinema, lêem mais, vão ao cabeleireiro e à academia. No último ano, o número de inscritos no Gymnase Club, a cadeia de academias mais frequentada de Paris, cresceu 17%.
Mas as horas de liberdade e dias sem trabalho também permitem evitar ter que adiar compromissos importantes como consultas médicas ou psicológicas, visitas ao dentista, check-ups de saúde.
As discutidas 35 horas também despertaram alguns de seus beneficiários para trabalhos sociais – um tipo de atividade que muitas pessoas acabam relegando em função de seu ritmo de vida.
Na associação Socorro Católico, os responsáveis pelo trabalho de voluntários dizem que ‘‘muitos vêm aqui em seu dia livre de trabalho, e se colocam à nossa disposição sem pedir nada em troca’’.

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