O diretor do Instituto de Estudos Energéticos da Universidade de Oxford, Roberto Mabro, disse ontem que caso o Iraque mantenha a suspensão das exportações de petróleo por um período superior a três meses, a situação poderá ficar crítica com uma forte elevação dos preços do produto. ‘‘Se o governo iraquiano suspender a produção por apenas algumas semanas, não deveremos ter problemas sérios, mas se isso continuar por mais tempo a situação ficará grave’’, disse Mabro, que participa de um seminário sobre regulamentação do setor energético, produzido pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford.
‘‘O Iraque produz 2,1 milhões de barris por dia e a Arábia Saudita teria condições de elevar sua produção diária em, no máximo, 500 mil barris. Ou seja, a lacuna não seria coberta.’’
Mabro ressaltou que o governo iraquiano já suspendeu sua produção de petróleo várias vezes nos últimos meses, mas que desta vez ‘‘parece mais determinado’’. Ele disse que o Iraque, se quiser, teria condições de manter a suspensão por um período longo. ‘‘O Iraque mantém cerca de US$ 8 bilhões dos US$ 10 bilhões obtidos através da ONU’’, afirmou.
Mabro disse também que a recente alta do preço do petróleo foi causada pelos problemas nas refinarias nos Estados Unidos. ‘‘É a mesma situação que ocorreu no ano passado: os estoques de óleo cru estão elevados mas o de óleo refinado são insuficientes.’’

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