Sem palestinos, Trump vai anunciar plano de paz Israel-Palestina
Foram chamados para reunião o premiê direitista Binyamin Netanyahu e o centrista Benny Gantz
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
Foram chamados para reunião o premiê direitista Binyamin Netanyahu e o centrista Benny Gantz
Igor Gielow – Folhapress 
São Paulo - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, irá anunciar nesta terça (28) o que chamou de o "acordo do século" para uma paz entre israelenses e palestinos. Em preparação, convidou dois líderes para conversar sobre detalhes da proposta à Casa Branca nesta segunda. "Ambos querem o acordo, eles querem ver a paz", disse Trump a bordo do avião presidencial na quinta (23). Detalhe: nenhum deles é palestino. Foram chamados o premiê direitista Binyamin Netanyahu e seu rival na eleição do dia 2 de março, o centrista Benny Gantz.
!["Eles [os líderes palestinos] provavelmente não vão querer [o acordo] inicialmente. Mas acho que no fim eles vão", disse Trump ao encontrar Netanyahu](https://www.folhadelondrina.com.br/img/inline/2980000/0x800/Sem-palestinos-Trump-vai-anunciar-plano-de-paz-Isr0298014900202001272001.webp?fallback=https%3A%2F%2Fwww.folhadelondrina.com.br%2Fimg%2Finline%2F2980000%2FSem-palestinos-Trump-vai-anunciar-plano-de-paz-Isr0298014900202001272001.jpg%3Fxid%3D5148523&xid=5148523)
Essa distorção de saída ecoa tratados do século 20 acerca do Oriente Médio, quando potências ocidentais sentavam à mesa para redesenhar o mapa da região de forma arbitrária. Foi o que ocorreu num dos principais deles, o acordo anglo-francês de Sykes-Picot de 1916, que retalhou o Império Otomano já antes de sua derrota, ao fim da Primeira Guerra Mundial.
Os americanos podem argumentar que os palestinos não quiseram nem ouvir sua proposta, o que é fato, já que desde 2017 os contatos diplomáticos entre Ramallah e Washington estão cortados. Naquele ano, a gestão Trump anunciou a mudança da embaixada americana de Tel-Aviv para Jerusalém, reconhecendo implicitamente que a cidade é a capital de Israel.
Como os palestinos a disputam, e há recomendação das Nações Unidas para que países aguardem o fim do conflito para definir tal mudança, houve o rompimento com os americanos.
Milhões de dólares de ajuda cessaram, tanto para ANP (Autoridade Nacional Palestina) quanto para a agência da ONU que coordena ajuda humanitária aos árabes. "Eles [os líderes palestinos] provavelmente não vão querer [o acordo] inicialmente. Mas acho que no fim eles vão. É muito bom para eles", disse Trump ao encontrar Bibi, como Netanyahu é conhecido.
O premiê teve recepção com direito a fotos e entrevista com o presidente, enquanto seu rival foi recebido a portas fechadas. Os termos do acordo não são conhecidos integralmente, mas vazamentos ao longo dos três últimos anos trouxeram alguns deles, além de aspectos econômicos divulgados numa esvaziada conferência no Bahrein, em 2019.
O que se falou até aqui: os israelenses teriam soberania total sobre áreas de assentamentos na Cisjordânia, haveria algum tipo de Estado palestino na área e um fundo de US$ 50 bilhões seria criado para atrair investimentos para os árabes.
Aparentemente a Faixa de Gaza, outro território palestino que é governado pelo grupo Hamas, classificado de terrorista pelos americanos, não é contemplado no acerto.
Já o Estado na Cisjordânia, que teria um período de até quatro anos para ser estabelecido, ocuparia algo como 70% do território nominal atual. Também seriam tratadas questões espinhosas, como o status de Jerusalém e a questão do direito de retorno de refugiados palestinos expulsos nos diversos embates da região.
Após o fim do mandato britânico sobre a Palestina, a recém-criada ONU (Organização das Nações Unidas) determinou a partilha em dois Estados, um judeu e outro árabe.
Israel se formou em 1948, sendo atacado por vizinhos descontentes com os termos do acerto. Desde então, foram três grandes guerras e inúmeros conflitos regionais.


