O presidente Raúl Castro vota em uma seção no oeste de Havana; em fevereiro, novo processo eleitoral vai escolher seu sucessor na presidência de Cuba
O presidente Raúl Castro vota em uma seção no oeste de Havana; em fevereiro, novo processo eleitoral vai escolher seu sucessor na presidência de Cuba | Foto: Cuban Television/AFP



Havana - Os cubanos foram às urnas neste domingo (26) para escolher as autoridades municipais. Entre os postulantes, não havia candidatos de oposição. Os eleitores – aproximadamente 8,4 milhões de pessoas com mais de 16 anos – foram convocados para eleger por voto direto e secreto 12.515 conselheiros entre os cerca de 30 mil candidatos escolhidos em assembleias de bairro – nenhum deles membro da oposição.

O presidente Raúl Castro, de 86 anos, votou em uma seção no oeste de Havana, onde conversou com estudantes que cuidavam as urnas e moradores do local, segundo imagens difundidas pela TV cubana.

A votação acontece um dia após a discreta recordação do primeiro aniversário da morte de Fidel Castro, que implementou em 1976 o sistema político-eleitoral de poder popular, que Havana defende como "o mais democrático e transparente" e a oposição chama de "farsa".

A imprensa, sob controle do Estado, realizou uma intensa campanha convocando a votação, na qual foi usada a figura de Fidel.

Estas eleições são o primeiro passo do processo que deve terminar em fevereiro com a eleição do substituto do presidente Raúl Castro, reeleito em 2013 para seu último mandato de cinco anos, iniciando a primeira transição geracional em quase 60 anos de governo comunista.

Todos os prognósticos apontam para o primeiro vice-presidente, Miguel Díaz-Canel, um engenheiro de 57 anos que, pela mão de Raúl, foi galgando durante três décadas os degraus do poder. Mas o vice-presidente declinou falar sobre o tema neste domingo: "Hoje não é um dia para falar disso."

No entanto, nada indica que Raúl deixará a liderança do Partido Comunista, o principal cargo político do país, antes do próximo Congresso em 2021. Ele terá então 90 anos.

SEM OPOSIÇÃO

O mecanismo eleitoral cubano, desenhado para perpetuar o sistema socialista estabelecido em 1959, estabelece eleições a cada dois anos e meio para delegados municipais (conselheiros) e a cada cinco para delegados provinciais (prefeitos) e deputados do Parlamento.

O Partido não postula, mas supervisiona o processo, sem dar trégua à dissidência.

O voto não é obrigatório, mas constitui um ato de "reafirmação revolucionária" e o abstencionismo é politicamente desaprovado.

Nas eleições municipais de 2015, a oposição conseguiu apresentar dois candidatos independentes, que foram derrotados. Desta vez, três organizações dissidentes - OTRO18, Candidatos por el Cambio e o Partido Autônomo Pinero - fracassaram em sua tentativa de apresentar candidatos.

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