Sem candidatos de oposição, cubanos vão às urnas
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segunda-feira, 27 de novembro de 2017
France Presse 

Havana - Os cubanos foram às urnas neste domingo (26) para escolher as autoridades municipais. Entre os postulantes, não havia candidatos de oposição. Os eleitores aproximadamente 8,4 milhões de pessoas com mais de 16 anos foram convocados para eleger por voto direto e secreto 12.515 conselheiros entre os cerca de 30 mil candidatos escolhidos em assembleias de bairro nenhum deles membro da oposição.
O presidente Raúl Castro, de 86 anos, votou em uma seção no oeste de Havana, onde conversou com estudantes que cuidavam as urnas e moradores do local, segundo imagens difundidas pela TV cubana.
A votação acontece um dia após a discreta recordação do primeiro aniversário da morte de Fidel Castro, que implementou em 1976 o sistema político-eleitoral de poder popular, que Havana defende como "o mais democrático e transparente" e a oposição chama de "farsa".
A imprensa, sob controle do Estado, realizou uma intensa campanha convocando a votação, na qual foi usada a figura de Fidel.
Estas eleições são o primeiro passo do processo que deve terminar em fevereiro com a eleição do substituto do presidente Raúl Castro, reeleito em 2013 para seu último mandato de cinco anos, iniciando a primeira transição geracional em quase 60 anos de governo comunista.
Todos os prognósticos apontam para o primeiro vice-presidente, Miguel Díaz-Canel, um engenheiro de 57 anos que, pela mão de Raúl, foi galgando durante três décadas os degraus do poder. Mas o vice-presidente declinou falar sobre o tema neste domingo: "Hoje não é um dia para falar disso."
No entanto, nada indica que Raúl deixará a liderança do Partido Comunista, o principal cargo político do país, antes do próximo Congresso em 2021. Ele terá então 90 anos.
O mecanismo eleitoral cubano, desenhado para perpetuar o sistema socialista estabelecido em 1959, estabelece eleições a cada dois anos e meio para delegados municipais (conselheiros) e a cada cinco para delegados provinciais (prefeitos) e deputados do Parlamento.
O Partido não postula, mas supervisiona o processo, sem dar trégua à dissidência.
O voto não é obrigatório, mas constitui um ato de "reafirmação revolucionária" e o abstencionismo é politicamente desaprovado.
Nas eleições municipais de 2015, a oposição conseguiu apresentar dois candidatos independentes, que foram derrotados. Desta vez, três organizações dissidentes - OTRO18, Candidatos por el Cambio e o Partido Autônomo Pinero - fracassaram em sua tentativa de apresentar candidatos.


