Seitas correm perigo na Rússia
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de dezembro de 2000
Sylvie Briand France Press De Moscou 
Milhares de organizações religiosas protestantes, islâmicas e ortodoxas dissidentes estão ameaçadas de desaparecer da Rússia do presidente Vladimir Putin se não conseguirem se registrar até amanhã. Todas as organizações e comunidades religiosas devem se registrar até o ano novo, segundo a lei de religiões adotada em 1997.
Até o último mês de outubro apenas 56% das organizações religiosas, um total de 8.962, haviam sido registradas, segundo os números oficiais.
Esta lei contradiz a Constituição russa que proclama a igualdade das religiões na Rússia, declarou à AFP um dirigente dos Mórmons, Alexei Martchenko.
Para o Exército da Salvação, organização protestante, a lei sobre as religiões não é apenas contrária à Constituição, mas também é arbitrária.
Estamos registrados em todas as autoridades regionais, salvo nas de Moscou, pois na capital nossa petição foi retirada sob o pretexto de que somos uma organização militar subversiva, É absurdo!, afirmou o dirigente do Exército da Salvação, coronel Kenneth Baillie.
1.400 comunidades batistas, que possuem 100.000 fiéis, estão enfrentando o mesmo problema, assim como os pentecostais, que tiveram suas publicações proibidas na cidade de Penza (Volga).
A situação é mais complexa para as Testemmunhas de Jeová, cujo proselitismo agressivo foi denunciado pela Igreja ortodoxa.
O dirigente mormón Alexei Martchenko acusou a Igreja Ortodoxa de ter inspirado esta lei sobre as religiões. A denúncia também foi feita pelo Vaticano e por Washington. A Igreja Ortodoxa busca estabelecer um monopólio ideológico na Rússia, afirmou Martchenko.
A lei de 1997 reconhece como religiões tradicionais o judaísmo, o budismo, o Islã e o cristianismo, reservando um lugar particular para a ortodoxia.


