Seita desafia Pequim no Ano Novo chinês
Elisabeth Zingg
France Presse
De Pequim
A proscrita seita Falungong voltou a desafiar as autoridades chinesas ao organizar uma espetacular operação de protesto este sábado, por ocasião do Ano Novo chinês. A manifestação acabou com centenas de prisões.
Mais de seis meses depois de ser declarada ilegal, a seita aproveitou as comemorações do Ano Novo Lunar para se manifestar na Praça da Paz Celestial, em plena capital chinesa.
Segundo Hannah Li, uma simpatizante da seita que viajou especialmente dos Estados Unidos para o acontecimento, entre 2 mil e 3 mil pessoas foram presas pela polícia desde anteontem à noite. Essa cifra não pôde ser confirmada por uma fonte independente.
Segundo um correspondente da AFP no local, pelo menos 25 membros foram presos ontem de manhã, depois de tentarem praticar seus exercícios de meditação na grande praça.
Poucas horas antes, logo depois que a China entrou no Ano do Dragão, cerca de 50 adeptos da seita foram presos pela polícia na mesma praça.
O Centro de Informação sobre Direitos Humanos e o Movimento Democrático na China, com sede em Hong Kong, estimou que uns 300 membros da Falungong foram presos em Pequim durante as comemorações do Ano Novo, incluindo alguns estrangeiros.
Esta é a operação mais importante organizada por esta seita desde outubro passado, quando milhares de adeptos foram presos por terem protestado contra a adoção de lei destinada a reprimir severamente as seitas heréticas.
Falungong, um movimento de inspiração budista que afirma contar com dezenas de milhões de membros na China, cujos ensinos combinam exercícios físicos e meditação, foi proscrita em 22 de julho passado.
Esta seita foi acusada de constituir atualmente a ameaça mais grave para o regime comunista chinês por ter desafiado as autoridades organizando uma manifestação com mais de 10 mil membros ante a sede do regime de Pequim, em abril passado.
Desde sua proibição, mais de 35 mil de seus membros foram presos e muitos deles condenados a penas de trabalhos forçados.
Cerca de 20 líderes chineses da seita foram condenados desde o final do ano a penas que vão a até 18 anos de prisão, acusados de divulgação de segredos de Estado.





