Seita de Moon compra cidade no Paraguai
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sexta-feira, 13 de outubro de 2000
Agência Estado De Foz do Iguaçu 
A seita do reverendo Moon causou muita polêmica no Paraguai ao comprar uma cidade inteira no nordeste do país, a 100 quilômetros da fronteira com Mato Grosso do Sul (MS). Representantes de Sun Myung Moon pagaram US$ 17,5 milhões por cerca de 350 mil hectares de terras da empresa argentina Carlos Casado S.A., que há 130 anos iniciara a colonização da região, dando origem à cidade de Puerto Casado, na qual moram 6 mil pessoas.
Os habitantes da área, uma das mais pobres do Paraguai, são ex-funcionários da empresa, que desde a colonização explorava substrato de madeira usado no preparo do couro de gado. A organização religiosa mantém negócios em Porto Murtinho (MS).
A comunidade de Puerto Casado mobilizou-se para defender a própria soberania. Os moradores da cidade sentiram-se ofendidos e, na quarta-feira, mantiveram cinco pessoas como reféns logo após serem avisados da negociação. Eles sequestraram três argentinos, dois paraguaios e um coreano, porta-voz da seita. Todos ficaram retidos por mais de 24 horas, até a intervenção de deputados, senadores e um ministro do país.
Muitas dúvidas dos habitantes de Puerto Casado ficaram sem resposta mesmo depois da reunião com os representantes da seita Moon, mediada pelo vice-ministro do Interior, Mario Sapriza, pela senadora Elba Recalde (PLRA) e pelos deputados Alfredo Gneiting e Raúl Rivarola. Sem entrar em detalhes, o porta-voz Koo Bae Park expôs projetos que deixaram os políticos e a população desconfiados.
Bae Park enfatizou que os moradores passariam a ser sócios do empreendimento e deveriam agir pacificamente para colaborar na construção de escolas, universidades e levar tecnologia à região. O coreano falou da possibilidade de construir um porto de acesso ao Rio da Prata, abrindo caminho para o mercado argentino e uruguaio para onde convergem os interesses da seita religiosa.
A senadora Elba Recalde disse, por telefone, que a congregação coreana ainda pretende comprar outros 350 mil hectares que restaram da propriedade da Carlos Casado S.A. Segundo ela, o representante do reverendo Moon pagou US$ 50 por hectare, mas disse não ter autonomia para negociar com os moradores em nome da seita. A população local quer a independência da zona urbana e mais uma quantidade de terras a ser definida para subsistência. Bae Park mostrou-se favorável à negociação.
Pessoas ligadas diretamente ao reverendo Moon vão participar no dia 25 de uma reunião com representantes do governo paraguaio para definir as condições em que a seita vai estabelecer-se na localidade e a quantidade de terras que deixará para a população.


