Seis palestinos mortos no ''dia da ira''
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de março de 2001
Associated Press De Jerusalém 
Revivendo manifestações maciças do estágio inicial de seu levante de seis meses, milhares de palestinos entraram em confronto ontem com soldados israelenses em mais um dia de ira. Israel respondeu com fogo pesado, matando seis manifestantes e ferindo mais de 130.
Em cidades da Cisjordânia, jovens se abrigando atrás de caçambas de lixo jogavam pedras contra os soldados, que atiravam com munição real de jipes e posições fortificadas. Atiradores palestinos dispararam contra um enclave judeu na dividida Hebron, e tanques israelenses bombardearam vizinhanças árabes da cidade. Num disputado local sagrado de Jerusalém, policiais israelenses à paisana dominaram apedrejadores árabes, e o Muro das Lamentações, o lugar mais sagrado do judaismo, foi brevemente fechado aos fiéis.
O grupo militante islâmico Hamas, que executou dois atentados suicidas à bomba esta semana, matando dois adolescentes israelenses, anunciou que promoverá novos ataques. Nossa mensagem a Sharon é que não desistiremos, afirmou o líder do Hamas, xeque Ahmed Yassin.
A revolta palestina foi alimentada esta semana por ataques de mísseis israelenses contra a Cisjordânia e Faixa de Gaza e por advertências de que tropas israelenses podem retomar áreas agora controladas pelos palestinos. Muitos palestinos também se sentiram abandonados pelo mundo árabe depois que uma cúpula esta semana da Liga Árabe não tratou de forma ampla sua causa.
Os protestos de ontem foram o clímax de uma tumultuada semana de atentados suicidas à bomba, disparos e ataques de mísseis. Em resposta à escalada, Arafat disse que o levante palestino, ou intifada, irá continuar, e Sharon afirmou que Israel estava se preparando para um confronto de longo prazo.
Na cidade de Gaza, 30 homens armados do grupo Fatah, de Arafat, lideraram uma grande passeata. Mohammed Musallam, carregando um fuzil AK-47, disse que os ataques contra Israel vão continuar. Se Sharon pensar por um segundo em retomar áreas palestinas, ele deve preparar os sacos para colocar os restos de seus soldados, afirmou Musallam.
Enquanto isso, nas comunidades árabes dentro de Israel, dezenas de milhares de pessoas participaram de passeatas pacíficas para marcar o Dia da Terra, um símbolo da luta dos 1,2 milhão de árabes israelenses por direitos iguais.
O Dia da Terra lembra anualmente protestos ocorridos em 30 de março de 1976, quando árabes-israelenses se revoltaram contra o confisco de suas propriedades pelo governo israelense para expandir assentamentos judeus. Seis árabes- israelenses foram mortos nos confrontos com a polícia.


