Seis africanos morrem ao cruzar encrave espanhol
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quinta-feira, 06 de outubro de 2005
Folhapress 
São Paulo - Seis imigrantes africanos morreram e 30 ficaram feridos ontem, quando um grupo de 400 pessoas tentou cruzar a fronteira entre o norte de Marrocos e o encrave espanhol de Melilla. A polícia marroquina prendeu 290 pessoas.
Foi o sexto incidente do tipo. Ao menos 14 pessoas morreram em uma semana nos dois encraves da Espanha no país africano o outro é Ceuta, onde cinco imigrantes morreram a tiros na semana passada. O governador da Província de Nador, onde se situa Melilla, disse que os imigrantes ''fizeram uso de excepcional violência, o que forçou o serviço de segurança a responder dentro do contexto de legítima defesa''.
Os imigrantes morreram em razão dos disparos efetuados pela polícia marroquina ou esmagados pelos companheiros na travessia. Na noite de quarta-feira e na manhã de ontem, as polícias espanhola e marroquina conseguiram abortar outras duas tentativas de invasão. Os incidentes deixaram feridos 12 imigrantes, dois guardas civis e um soldado.
Cerca de 700 pessoas conseguiram alcançar o lado espanhol desde a quinta-feira da semana passada. A vice-primeira-ministra da Espanha, María Teresa Fernández de la Vega, que estava ontem em Melilla, afirmou que 70 imigrantes procedentes de Mali que estavam no encrave serão enviados de volta a Marrocos. Segundo as leis espanholas, pessoas em condição ilegal podem permanecer no território caso a Espanha não tenha acordo de repatriação com seu país de origem. É o caso de vários imigrantes provenientes da África subsaariana.
Mas um acordo bilateral entre a Espanha e Marrocos, de 1992, prevê que imigrantes ilegais podem ser mandados para o lado marroquino mesmo que não sejam do país. A decisão nunca havia sido colocada em prática.
Os imigrantes relatam que enfrentaram meses de fome e violência policial até chegarem aos encraves espanhóis. Muitos dizem que preferem morrer a voltar a Marrocos. Segundo Patrick Houta, um camaronês de 25 anos que está em Melilla, ''o outro lado é simplesmente a morte'', referindo-se às más condições de vida em muitos países africanos.
Outros permanecem meses nas florestas esperando o momento certo de cruzar a fronteira. O camaronês disse que a União Européia deveria considerar a entrada de trabalhadores nos países em que há carência de mão-de-obra.


