Segurança nacional é principal arma dos republicanos
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sábado, 28 de agosto de 2004
Leandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Nova York - Os republicanos querem do presidente Bush um discurso duro como tem sido sobre seguranca nacional, questões que vão desde a Guerra no Iraque até políticas de combate ao terrorismo. O item segurança nacional virou bandeira dos republicanos na década de 60, com o fracasso na Guerra do Vietnã. O ex-presidente Ronald Reagan acentuou o discurso. Com a tragédia no World Trade Center, o assunto voltou à pauta com mais vigor. Os republicanos pretendem ainda mostrar o desempenho de Kerry como senador e eventuais contradições em seu discurso de hoje na geração de empregos no interior dos Estados Unidos.
A convenção republicana será alvo de inúmeros protestos, alguns já em curso em praças de Nova York. Danny Schechter, vice-presidente executivo da Mediachannel.org, uma entidade que monitora a cobertura da imprensa em eventos políticos, estará na convenção republicana. Estarei lá até que me expulsem. Vou fazer a cobertura da cobertura, avisa. Schechter lamenta a política, sobretudo das grande emissoras de televisão, de dispensar poucas horas para tais coberturas. Na convenção democrata, as emissoras destinaram apenas três horas, alegando que o assunto era enfadonho. A tevê pública foi a que melhor cobriu. Na década de 70, as emissoras dispensavam 10 horas para a cobertura de uma convenção.
A Media Channel organizou um guia não oficial para os 16 mil jornalistas destacados para a cobertura da convenção republicana, com contatos junto à mídia alternativa, que tende a ser mais crítica. Schechter, que participa de fóruns no mundo todo atualmente, produz um filme contendo a versão não oficial da Guerra no Iraque. Ele defende que a mídia, em eventos políticos como a convenção republicana, busque o que esta por trás da notícia, para que não se cometam erros grosseiros como por exemplo o de dar vazão e credibilidade a discursos ambos desmentidos posteriormente de que o Iraque tinha armas químicas e que o ditador iraquiano Saddam Hussein e o líder do Al Qaeda, Osama Bin Laden, articulavam juntos um ataque aos Estados Unidos.
Expert em marketing politico, Henry Sheinkopf, que trabalhou na campanha do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, disse que a escolha dos republicanos por Nova York pode surtir tantos efeitos positivos quanto negativos. Fazer do Marco Zero um escudo político pode ser desastroso. Kerry vai ganhar em Nova York por pelo menos 2 milhões de votos. Pode ser burrice. Agora, se houver protestos, atos públicos contra Bush, isso pode fortalecer a campanha do presidente, na avaliação de Sheinkopf. Em 1968, Richard Nixon ganhou com uma série de protestos em Chicago, relembra.
O jornalista viajou a convite do Departamento de Estado do Governo dos EUA.


