France Presse
De Cidade do México
Mais de duzentos homens trabalham no ‘‘narcocemitério’’ da nortista Cidade Juarez, onde supostamente teriam sido enterradas clandestinamente dezenas das vítimas do cartel Juárez, informou o promotor Jorge Madrazo.
O promotor disse que se trata de uma das maiores operações na história da justiça mexicana, que conta com o apoio técnico do FBI.
Um numeroso grupo de agentes do FBI e da DEA (agência antinarcóticos norte-americana), principalmente técnicos forenses e na localização de restos humanos, trabalha ao lado dos mexicanos destacados no sinistro rancho de Juarez.
Em Cidade Juarez, fontes da Procuraduria-Geral da República indicaram que poderia tratar-se de fossas comuns clandestinas (até ontem foram localizadas duas nos arredores da cidade).
Além disso, informaram que as autoridades do México e EUA chegaram ao local por causa da confissão do guarda-costas do ‘‘capo’’ regional Ismael Cruz, detido em El Paso em setembro passado com um carregamento de quatro toneladas de cocaína pertencente ao cartel de Juarez.
O guarda-costas, não identificado, informou que Cruz era um dos que mandavam matar e levou as autoridades ao cemitério clandestino. Ele disse que, em janeiro de 1998, foi testemunha da execução de 11 pessoas vinculadas com Rafael Muñoz Talavera, ex-capo do cartel executado no ano passado. A macabra obra teria sido realizada no ‘‘narcocemitério’’.
Também na cidade fronteiça, Jaime Herbella, dirigente da Associação e de Familiares de Desaparecidos, disse que desde o mês passado a PGR lhe prometeu resolver o caso. ‘‘Esta é a triste resposta que estão nos contando’’.
A Associação conta com uma lista de 196 desaparecidos na Cidade Juárez, mas Herbella acredita que ‘‘são muito mais casos, pois nem todos se atrevem a denunciar’’ os fatos por temor dos bancos dos sicários do narcotráfico.

mockup