São Paulo - Manifestantes atiravam dinamites contra a sede do governo na capital boliviana, La Paz, ontem, horas depois do pedido de renúncia do presidente Carlos Mesa. Esse é o vigésimo segundo dia consecutivo de protestos no país. Centenas de policiais controlam os oito acessos à praça de Armas e militares tomam conta da sede do governo.
A entrega do pedido de renúncia não diminuiu a tensão social em La Paz e El Alto (localizada a 12 km da capital e considerada um dos centros das manifestações que ocorrem no país há mais de duas semanas). Líderes indígenas disseram que irão continuar a exigir a nacionalização da exploração e produção de gás e petróleo no país.
O Congresso boliviano presidido por Hormando Vaca Díez deve se reunir para tratar do pedido de renúncia de Mesa, mas ainda não há confirmação oficial de uma data.
O presidente do Congresso é o primeiro na linha sucessória, segundo a Constituição boliviana, a poder assumir a presidência do país nesse caso. Logo depois, o presidente da Câmara dos Deputados, Mario Cossio, e em último lugar o presidente da Corte Suprema de Justiça, Eduardo Rodríguez, o único dos três que pode convocar eleições gerais. ''Vaca Díez ao matadouro'', gritavam os manifestantes que se opõem ao presidente do Congresso.
Mesa deve permanecer no poder até que o Congresso vote seu pedido de renúncia. O dirigente do Movimento ao Socialismo (MAS), Evo Morales, disse que ''Mesa não pode continuar governando a Bolívia'' e que seu partido, o principal da oposição, aceita a renúncia do governante.''Nós somos um movimento democrático e vamos apostar por saídas democráticas e saídas constitucionais'' afirmou o líder dos cocaleros. ''Se Vaca Díez não renunciar, a sucessão só vai a polarizar a Bolívia'', acrescentou.
O presidente da Federação das Juntas Vicinais de El Alto, Abel Mamani, também defendeu a renúncia dos outros membros do Congresso, além de afirmar que a renúncia de Mesa tem por objetivo ''desmobilizar os setores sociais'' que pedem a nacionalização do gás, e a formação de uma Assembléia Constituinte para fazer reformas na Constituição. ''Não concordamos que Vaca Díez seja o próximo presidente'', afirmou.

mockup