Cidade do Vaticano - Os cardeais esfumaçaram a capela Sistina e Jospeh Ratzinger perdeu a primeira rodada de votação: diversos detalhes do misterioso e breve conclave começaram a escapar dos muros vaticanos, apesar de os cardeais eleitores terem jurado manter o segredo.
Em tom de brincadeira, fontes vaticanas contaram que, quando os cardeais escolheram o Papa, na terça-feira, e quiseram enviar ao mundo o sinal da fumaça branca, houve uma falha de combustão e a capela ficou cheia de fumaça. Enquanto isso, fora do Vaticano, os fiéis viam apenas uma tímida fumaça cinzenta.
Quando os fiéis amontoados na praça de São Pedro duvidavam entre explodir de alegria ou voltar às suas casas, os cardeais finalmente conseguiram ventilar a capela Sistina e enviar a fumaça branca ao céu de Roma. ''Foram necessárias duas tentativas para obter uma fumaça branca'', contou o cardeal holandês Adrianus Simonis ao jornal Corriere della Sera.
Depois da eleição, houve um brinde com champanhe, mas o novo Papa não bebeu por ser abstêmio, relatou o cardeal mexicano Javier Lozano Barragán.
De acordo com outras informações que filtraram depois do conclave, Ratzinger não obteve o maior número de votos na primeira rodada, na tarde de segunda-feira. O cardeal italiano Carlo Maria Martini largou na frente. Porém, na manhã de terça-feira, os indecisos começaram a dar seu voto ao prelado alemão.
Quando Ratzinger foi eleito ''por grande maioria mas não por unanimidade'', a sala inteira o aplaudiu, mas o escolhido permaneceu cabisbaixo, com atitude de quem talvez fosse recusar o cargo. ''Todo mundo aplaudiu e ele se manteve cabisbaixo. Estava rezando'', recordou o cardeal inglês Murphy O'Connor.
Os cardeais deram a entender que Ratzinger superou os 100 votos, de um total de 115, em sua eleição relâmpago. O número de 107 foi mencionado pelo vaticanista do jornal Il Messaggero, Orazio Petroselli, segundo quem ''apenas sete ou oito cardeais não votaram em Ratzinger''.
Mas o que sucedeu precisamente nestas votações continua sendo um mistério, e sempre o será. Apenas os cardeais eleitores sabem os números exatos de votos a favor e contra, e eles somente poderão comunicá-los com a autorização do novo Papa.

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