Caracas A oposição anunciou que pretende fazer uma grande passeata até o palácio presidencial de Miraflores, após realizar, sexta-feira, uma impressionante marcha em Caracas. A oposição ''considerará a realização da grande marcha até Miraflores (centro da capital), na qual esperamos contar com todo o povo'', informou o presidente da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV), Carlos Ortega. A iniciativa da maior central sindical venezuelana, que conta com o apoio de setores patronais e de partidos de oposição, foi vetada pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, que advertiu que não permitirá que nenhum tipo de manifestação chegue a Miraflores, classificado pelo governo como ''zona de segurança''.
Na sexta-feira, quatro milhões de venezuelanos foram às ruas em todo o país para pedir a renúncia do presidente Hugo Chávez, de acordo com dados apresentados por Ortega. Na Capital, o movimento foi chamado a ''invasão'' de Caracas.
Sem diálogo A delegação do governo da Venezuela não se apresentou, sexta-feira, à mesa de diálogo com a oposição, intermediada pelo secretário-geral da OEA, César Gaviria, que se ausentará do país por três dias, informou a delegação da Coordenadoria Democrática (CD).
''Nós viemos. Estamos os seis aqui. O governo não veio e agora Gaviria vai partir'', afirmou Américo Martín, membro da delegação opositora nas negociações entre o governo e a CD.
''Ontem tivemos um momento promissor, porque pela primeira vez acreditamos que a representação governamental aceitava que os poderes se legitimassem prematuramente, o que significa realizar eleições antecipadas'', explicou. Mas a ausência do Governo nas negociações, sexta-feira, voltou a desanimar os opositores de uma solução negociada.
''Gaviria vai estar em contato conosco e já não temos medo de que sua ausência, como tínhamos antes, porque a rua está dominada pela oposição'', disse Martín, horas depois da marcha de milhares de manifestantes pelas ruas de Caracas.

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