Sede de partido alemão que apoia imigrantes é fechada após ameaça
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terça-feira, 25 de agosto de 2015
Folhapress 
São Paulo - Uma ameaça de bomba fez com que a sede do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD, na sigla em alemão) em Berlim fosse esvaziada ontem. Segundo o partido, o incidente estaria ligado à visita do presidente da sigla de centro-esquerda, Sigmar Gabriel, a Heidenau, cidade que foi palco de violentos protestos no fim de semana contra imigrantes.
"Desde a visita de Sigmar Gabriel a Heidenau, o Willy-Brandt-Haus tem recebido uma enxurrada de ameaças racistas", disse a secretária-geral do SPD, Yasmin Fahimi, em comunicado, referindo-se ao edifício-sede. "Temos que pressupor que isso é um ato político. Vamos deixar claro: o SPD não vai ceder em sua posição."
Mais tarde, o ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, disse que nenhuma bomba foi encontrada na sede do partido, que faz parte da coalizão governista com os conservadores da chanceler, Angela Merkel.
Em Heidenau, que fica nos arredores de Dresden, no leste alemão, Gabriel já havia dito que o país não irá "ceder um único milímetro a estas turbas de extrema-direita". O presidente da sigla disse ainda que os manifestantes que atacaram os refugiados "não têm nada a ver com a Alemanha". "Essa não é a Alemanha que queremos", afirmou.
Merkel visitará Heidenau hoje e deve se encontrar com os cerca de 250 imigrantes que pediram asilo, voluntários e forças de segurança. Os imigrantes estão abrigados numa antiga loja de artigos de construção na cidade. A chanceler condenou a violência usada por manifestantes de extrema-direita e neonazistas no final da última semana. Ela havia sido criticada por não condenar de forma dura, até a segunda-feira, os ataques. Um membro veterano do SPD chegou a descrevê-la como "chanceler de couro fino", que prefere se pronunciar somente quando há boas notícias.
Centenas de pessoas participaram das manifestações organizadas pelo partido ultranacionalista NPD, que terminou em confrontos com a polícia. Segundo testemunhas, os radicais arremessaram garrafas e pedras. Alguns chegaram a gritar a saudação nazista "Heil Hitler".


