Washington - Os secretários de Estado americano, John Kerry, e de Defesa, Chuck Hagel, comparecerão hoje diante do Senado para defender uma intervenção militar de seu país na Síria, informou ontem à AFP uma fonte do governo. Os dois altos funcionários vão falar à comissão de Relações Exteriores em uma audiência às 14h30 locais (15h30 de Brasília), da qual deverão participar outros membros do governo.
Este comparecimento faz parte da intensa campanha lançada pelo governo de Barack Obama para conseguir convencer os representantes mais céticos do Congresso para que autorizem o uso da força contra o regime de Bashar al-Assad.
De acordo com a mesma fonte, o vice-presidente Joe Biden e o secretário-geral da Casa Branca devem telefonar para um grande número de membros da Câmara de Representantes e do Senado. Hoje, Obama receberá na Casa Branca vários congressistas antes de viajar a Suécia e Rússia, onde participará da cúpula do G20 de São Petersburgo. Do lado de fora da Casa Branca, manifestantes realizavam protestos contra o possível ataque.
Obama surpreendeu a todos no sábado ao anunciar que pediria a autorização do Congresso para lançar uma ação militar na Síria, rompendo com o hábito de décadas de o presidente apenas informar os legisladores.
Já o parlamento francês realizará um debate amanhã sobre a Síria "sem votação", declarou ontem o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, descartando os pedidos de parte da oposição por uma votação a exemplo das opções britânica e americana para decidir o recurso a uma ação armada.
"Na quarta-feira, haverá um debate sem votação porque, em qualquer hipótese, a última decisão só poderá ser tomada pelo presidente da República depois que for constituída de (uma) coalizão" internacional, afirmou
O presidente sírio advertiu para o risco de uma guerra regional em caso de uma ação militar ocidental. "O Oriente Médio é um barril de pólvora e o fogo se aproxima (...). O risco de uma guerra regional existe", declarou Assad ao jornal francês Le Figaro, advertindo sobre "as repercussões negativas de futuros ataques aos interesses da França".
Assad também falou do risco de uma "política hostil ao povo sírio", num momento em que a França deseja se unir aos Estados Unidos para atacar o regime. "O povo francês não é nosso inimigo, mas à medida em que a política do Estado francês é hostil ao povo sírio, este Estado será seu inimigo", afirmou. "Haverá repercussões negativas, é claro, para os interesses da França", ameaçou.

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