O secretário-geral das Nações Unidas fez ontem um apelo aos habitantes de Timor Leste e Indonésia para que detenham a violência e não comprometam os esforços diplomáticos objetivando uma solução pacífica ao conflito na ilha.
Kofi Annan disse que ‘‘espera que terminem todos os atos de violência e intimidação’’, segundo seu porta-voz Fred Eckhard num comunicado.
‘‘Annan reafirma seu compromisso na continuação do processo diplomático de paz para o acerto do conflito em Timor oriental e pede urgência às partes a fim de que não permitam o aumento do conflito armado’’, disse Eckhard.
Funcionários da ONU informaram que Annan está sabendo do apelo do líder rebelde timorense Xanana Gusmão, ordenando a seu povo que recomece a resistência contra o exército indonésino, depois de ser informado por seu advogado Johnson Panjaitan que uma milícia pró-indonésia assassinou 17 timorenses,
As negociações em curso entre a Indonésia e Portugal para resolver a questão de Timor oriental, militarmente invadido e anexado por Jacarta, prevêem uma presença da ONU - em uma forma que ainda falta definir - encarregada de assegurar o bom desenvolvimento da ‘‘consulta direta’’ que deve permitir aos timorenses orientais decidir sobre seu destino.
Com efeito, na segunda-feira, o líder separatista Xanana Gusmão conclamou o povo do Timor Leste a pegar em armas contra a Indonésia em retaliação à escalada da violência por parte dos legalistas pró- Jacarta apoiados pelo exército indonésio.
A Indonésia advertiu que isso poderia arruinar os planos do país em permitir que o território empobrecido vote para ter autonomia pela primeira vez em mais de 300 anos. Diante da repetição dos ataques contra os timorenses, a postura do governo de Jacarta parece no mínimo desligada da realidade.

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