Bagdá - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, que teve a imagem duramente afetada pelo escândalo das torturas de prisioneiros iraquianos, chegou ontem a Bagdá para uma visita de surpresa à prisão de Abu Ghraib. O chefe do Estado-Maior conjunto, Richard Myers, veio com ele de Washington para esta missão.
''Quero ouvir as pessoas encarregadas das operações cotidianas com os prisioneiros'', declarou Rumsfeld aos jornalistas ainda no avião. ''Estamos preocupados em ver os detentos bem tratados, em ver que nossos soldados se comportam corretamente. Queremos que a linha de comando funcione bem'', acrescentou.
Logo no início da visita, Rumsfeld disse aos soldados americanos reunidos para recebê-lo que mais países devem entrar na coalizão dirigida pelos Estados Unidos no Iraque. ''Se pudermos obter uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, e penso que isso acontecerá, vários países poderão reforçar as tropas. Seria uma coisa muito boa'', afirmou, acrescentando que seu país negocia a questão com vários Estados.
O secretário de Defesa insistiu que não visita Bagdá para tentar encobrir o escândalo. ''Se alguém pensa que vou ao Iraque para apagar o fogo, está errado'', disse, acrescentando que também agradeceria às tropas americanas por seu bom trabalho e se reuniria com os comandantes.
Enquanto Rumsfeld visita o país, a situação continua tensa no centro do Iraque, principalmente nas cidades santas xiitas de Kerbala e Najaf. Houve novos confrontos entre os partidários do chefe radical xiita Moqtada al-Sadr e as tropas da coalizão.
Três iraquianos morreram e sete ficaram feridos durante uma troca de tiros à noite em Najaf, quando os rebeldes atacaram o quartel-general da polícia na cidade. Eles levaram armas e provocaram a reação dos soldados da coalizão, segundo fontes médicas e policiais.
Também bloquearam o acesso ao quartel-general e dez homens entraram no local, carregando 40 fuzis de assalto, segundo um oficial de polícia. Na saída, os rebeldes tomaram o chefe adjunto de polícia, general Hassan Lilou, com refém, e assim o mantiveram por várias horas.
A cidade de Kerbala, a outra cidade santa xiita do centro do país, também é foco de tensão, um dia depois de combates que provocaram 22 mortes entre os milicianos xiitas, segundo o exército dos Estados Unidos. O Conselho Supremo da revolução islâmica no Iraque (CSRII), movimento xiita representado no conselho do governo iraquiano, muito crítico em relação ao líder radical Moqtada al-Sadr e seus partidários, convocou uma grande manifestação nesta sexta-feira em Najaf contra a presença de milícias armadas.

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