Se Arafat morrer, funerais serão no Cairo
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quinta-feira, 11 de novembro de 2004
Das agências 
Cairo - Os funerais de Yasser Arafat acontecerão na sexta-feira, no Cairo, se o dirigente palestino morrer até então, declarou ontem seu principal conselheiro, Nabil Abu Rudeina, ao chegar ao aeroporto da capital egípcia. O estado de saúde do líder se agravou ainda mais ontem, quando diversos órgãos, como o fígado e os rins, pararam.
''Muitos órgãos pararam de funcionar, a não ser o coração de Arafat que ainda está batendo'', disse Abu Rudeinah. ''O líder palestino deve morrer nas próximas horas, como os médicos estão esperando, e deverá haver um funeral oficial no Cairo (capital do Egito) nesta sexta-feira com a participação de reis, príncipes e chefes de Estados árabes e islâmicos'', disse Rudeinah. Em entrevista ao canal France-2, o premiê francês disse: ''Eu espero que nós possamos respeitar as últimas horas do homem que está se aproximando da morte''.
A representante palestina na França, Leila Shahid, disse à imprensa do lado de fora do hospital militar Percy, em Clamart (a sudoeste da capital francesa), em que ele está internado, que o líder está ''na fase final da sua vida''.
O governo palestino decidiu enterrar Arafat em seu quartel-general (a Muqata), em Ramallah, na Cisjordânia. Na verdade, de acordo com lideranças palestinas, a Muqata seria uma ''sepultura provisória'' até que os restos mortais do líder palestino possam ser removidos para a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém (como deseja Arafat).
Escavadeiras e caminhões trabalharam na retirada dos escombros da Muqata por conta do possível enterro.
Há 13 dias, Arafat foi retirado da Muqata por helicópteros e levado à Jordânia, de onde embarcou a Paris em um avião da Força Aérea da França. Desde então, o líder palestino encontra-se internado em um hospital. Apesar de os laudos médicos descartarem câncer ou envenenamento (do sangue), o líder palestino sofreu uma hemorragia cerebral que agravou muito seu quadro. Até o momento, nenhum diagnóstico aponta a doença de Arafat.
Sucessão- Apesar do líder palestino ainda permanecer vivo, está em coma profundo e suas funções vitais são mantidas por aparelhos. Seus colaboradores abandonaram o otimismo público que têm demonstrado até agora, e começaram a apressar os preparativos para sua morte.
Na reunião feita ontem de manhã, líderes palestinos concordaram, pelo menos temporariamente, em seguir a legislação e promover o presidente do Conselho Legislativo palestino, Rawhi Fatouh, em presidente da ANP depois da morte de Arafat.
Muitos palestinos não vêem com bons olhos a permanência de Fatouh no comando da ANP, mesmo que seja só por 60 dias, como determina a legislação. Oficiais palestinos também decidiram os detalhes do funeral de Arafat, que vai acontecer no Cairo, Egito, um lugar mais seguro para líderes árabes que participarão da cerimônia.
O governo israelense afirmou ontem que não vai interferir na organização do funeral. Árabes israelenses e palestinos da Cisjordânia poderão comparecer à cerimônia. Entretanto, apenas a saída de mil palestinos que vivem na faixa de Gaza será permitida por Israel. ''Então, quando o homem (Arafat) morrer, temos que permitir que eles (palestinos e árabes) chorem por sua morte. Aos seus olhos, ele é um herói'', afirmou o ministro do Interior israelense, Avraham Poraz.


