Schroeder vence eleições na Alemanha
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de setembro de 1998
France Presse 
A vitória de Gerard Schroeder nas eleições de ontem na Alemanha reforça a social-democracia na União Européia (UE), elevando a 13 o número de países do Velho Continente governados pela esquerda ou pelo centro-esquerda.
O Partido Social-democrata (SPD) e os Verdes obtêm uma maioria absoluta de deputados no parlamento, com uma vantagem de 10 cadeiras em relação ao conjunto dos outros três partidos representados, segundo estimativas de ontem.
Schroeder, que tem 54 anos, nasceu em Mossenberg (oeste), de pai operário que morreu durante a Segunda Guerra Mundial.
A virada para a esquerda da Alemanha, com a chegada ao poder de Gerhard Schroeder, deixa Espanha e Irlanda sozinhas na direita, em uma Europa firme no objetivo, para começo de 1999, de uma moeda única, o euro.
Sem maiores consequências para a construção européia e muito menos para o modelo econômico liberal, três grandes países, Grã-Bretanha, França e Itália viraram para a esquerda nos últimos três anos.
O socialista francês Lionel Jospin, o trabalhista Tony Blair e o centrista italiano de esquerda Romano Prodi não mexeram na situação européia a fim de não terem confrontos com os conservadores.
A grande maioria dos outros países da UE é liderada pela esquerda, ou conta com uma ampla coalizão, como Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Grécia, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Suécia.
Os socialistas franceses esperavam abertamente a passagem da Alemanha para a esquerda - país chave há 50 anos, junto com a França, na construção européia - a fim de permitir uma inflexão social na Europa.
Depois das vitórias dos trabalhistas na Grã-Bretanha e dos socialistas na França, uma mudança de governo na Alemanha permitirá prosseguir e intensificar a mudança na direção da construção européia com vistas a uma Europa mais social e mais próxima dos cidadãos, declarou o Partido Socialista Francês (PSF).
Schroeder comemorou as virtudes do eixo franco-alemão que mudou o mundo, e destacou que se a Grã-Bretanha de Blair desejar se unir ao grupo avançado europeu, será inoportuno rechaçá-la.
Mas a diferença de cultura política entre Jospin, que governa com os comunistas, e Blair, de um liberalismo claro, não permitiu até agora levar a cabo iniciativas comuns expressivas.
É mais para o democrata Bill Clinton que Tony Blair e o presidente italiano Romano Prodi dirigiram sua atenção para encontrar uma terceira via frente ao socialismo e à globalização.
Os três líderes que acabam de se reunir em Nova York são inclinados a essa terceira via, que, segundo Prodi, pode ser uma solução entre o liberalismo salvagem e o socialismo que já não é uma alternativa.


