France PresseAscensão socialistaGerard Schroeder (e) foi indicado candidato do SPD à chefia do governo. Oskar Lafontaine, presidente do partido, renunciou à candidatura e apóia SchroederUm dia após ter sido reeleito governador do Estado da Baixa Saxônia por 47,9% dos votos, Gerard Schroeder foi indicado ontem em Bonn, por unanimidade, candidato do Partido Social Democrata (SPD) à chefia do governo alemão nas eleições gerais de 27 de setembro. ‘‘O chanceler gastou-se a ponto de ser substituído’’, disse Schroeder em sua primeira entrevista depois do pleito de domingo. ‘‘Terminou a era Kohl’’, disse, se referindo ao chanceler Helmut Kohl
Kohl reagiu, desmentindo rumores de que estaria pensando em retirar sua candidatura à reeleição pelo Partido Democrata Cristão (CDU). ‘‘Vamos manter a atual política e vencer as eleições’’, garantiu.
Na coletiva, Schroeder classificou de necessária uma mudança política no país e propôs profundas reformas na economia, na sociedade e no Estado. ‘‘Temos um programa inovador, vinculado à responsabilidade social.’
Para ele, a luta contra o desemprego (que atinge 5 milhões de alemães) é uma prioridade. ‘‘Vamos propor um pacto para o trabalho que busque formas de promoção do emprego com a aliança e o consenso de todas as forças sociais’’.
O governador defendeu a criação de um ‘‘novo centro político’’ na Alemanha, nos mesmos moldes do que adotou na Baixa Saxônia e que lhe deram a vitória nas eleições. Esse centro, segundo ele, vai reunir também artesãos autônomos e empresários. ‘‘Eles votaram no SPD em meu Estado, demonstrando que os métodos são válidos e aplicáveis em escala federal.’
Para Schroeder, o SPD deve empenhar-se para ‘‘ganhar o centro da sociedade, em lugar de insistir nas campanhas tradicionais da ideologia socialista de divisão em campos sociais e de classes’’.
O líder socialista enumerou os pontos-chave de seu programa renovador: ‘‘Aprimorar os meios de produção, melhorar a organização do trabalho, investir mais na pesquisa e na educação profissional e ampliar a cooperação entre o Estado e a sociedade.’
No âmbito da União Européia (UE), Schroeder manifestou-se de acordo com o euro (moeda única européia) e com o calendário de sua introdução ‘‘já que não há como mudá-lo’’.
Numa tentativa de demonstrar ‘‘sintonia’’ com as lideranças socialistas, Schroeder garantiu que seu programa vai obedecer a uma ‘‘estreita e amistosa colaboração’’ com o SPD. Segundo ele, não existem divergências com o presidente da agremiação Oskar Lafontaine (da ala esquerda do partido), que também aspirava substituir Helmut Kohl na chancelaria alemã.
Lafontaine renunciou à candidatura logo após a divulgação dos primeiros resultados da apuração, que davam vitória a Schroeder. O nome do governador da Baixa Saxônia como candidato socialista à chefia do governo alemão foi escolhido quase por unanimidade pelo diretório nacional do SPD: 38 votos a favor e 3 abstenções. ‘‘Nossa grande prioridade será a luta contra o desemprego’’, ressaltou Lafontaine, que conserva a presidência do SPD.
Kohl, por sua vez, presidiu uma reunião de lideranças democratas cristãs. Apesar do visível clima de insatisfação, o chanceler alemão manteve a atual linha política e manifestou confiança na vitória. ‘‘Embora incômodas, as medidas adotadas na área econômica são necessárias.’’

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