Saúde mental é prioridade para OMS no ano que vem
Marwaan Macan Markar
Inter Press
Da Cidade do México
A Organização Mundial da Saúde (OMS) concentrará seus esforços, em 2001, na promoção de uma maior compreensão do problema da enfermidade mental. O órgão, com sede em Genebra, também anunciou que a saúde mental será o tema do Dia Mundial da Saúde, no próximo ano.
Essas duas iniciativas têm o objetivo de superar as limitações dos indicadores usados tradicionalmente para dar prioridade aos problemas de saúde e que se baseiam normalmente na mortalidade ou na persistência de uma moléstia em particular. Segundo Gro Harlem Brundtland, diretora-geral da OMS, os índices de mortalidade não levam em conta surtos não fatais de enfermidades, e os índices de persistência não consideram a severidade ou duração da incapacidade produzida pelas mesmas. Em consequência, o impacto das condições psiquiátricas e neurológicas tem sido subestimado há muitos anos.
A situação no mundo em desenvolvimento é especialmente preocupante dadas as disparidades nos tratamentos. Na Índia, por exemplo, calcula-se que 20% dos pacientes com esquizofrenia e epilepsia recebem tratamento, enquanto nos países industrializados esse índice é de 80%.
Cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo padecem de distúrbios mentais e males neurológicos, enquanto outros 288 milhões sofrem de alcoolismo e 60 milhões de deficiência mental. Existem 40 milhões de casos registrados de epilepsia, 20 milhões de casos de demência, 45 milhões de esquizofrenia, entre 10 e 20 milhões de tentativas de suicídio, e um milhão de suicídios. A depressão aguda ocupa hoje o quinto lugar entre as 10 principais causas de enfermidades, mas dentro de 20 anos, prevê-se, estará em segundo lugar.
Um relatório publicado pelo grupo defensor dos direitos dos doentes mentais, Mental Disability Rights International, com sede em Washington, sobre a situação no México, revelou constantes abusos de direitos humanos nas instituições psiquiátricas do país. Representantes do grupo disseram que passaram três anos estudando as instituições psiquiátricas do México e constataram que os pacientes vivem em condições subumanas, sem atenção médica básica nem reabilitação. Segundo Eric Rosenthal, diretor executivo do grupo, as condições comprovadas no México figuram entre as piores vistas em todo o mundo. Estudos realizados pela Federação Mundial de Saúde Mental (WFMH) revelam que atitudes similares prevalecem em outros países.





