Saúde do Papa preocupa a Igreja
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segunda-feira, 28 de março de 2005
France Presse 
Cidade do Vaticano - Pela primeira vez em todo seu pontificado, o Papa João Paulo II, 84 anos, não concluiu as cerimônias de Páscoa com a tradicional oração da segunda-feira. O estado de saúde do Papa, que no domingo de Páscoa também não conseguiu pronunciar uma bênção na Praça São Pedro, se converteu num fator de crescente preocupação para uma Igreja Católica privada do carisma de seu chefe, avaliaram ontem os vaticanistas.
''Está muito claro que uma Igreja que chega a um bilhão de pessoas no mundo não pode repousar nos ombros de um só homem'', disse o jornalista e escritor Giancarlo Zizola, especialista do Vaticano. O Papa não apareceu ontem na janela de seu escritório no Vaticano para a oração do Angelus com os fiéis na praça São Pedro.
No domingo, apesar do risco de infecção que representa a cânula implantada em sua garganta depois da traqueostomia, o chefe da Igreja Católica permaneceu durante quase quinze minutos na janela de seu gabinete exposto às intempéries. Mas os milhares de peregrinos que chegaram para assistir a missa do Domingo, bem como centenas de milhões de telespectadores em todo mundo, recordarão os esforços do Sumo Pontífice que não conseguiu pronunciar a tradicional bênção ''Urbi et Orbi''.
''Foi triste'', explicou Shoba Rami, uma turista da Malásia. Para Zizola, ''esta imagem de um papa silencioso é uma metáfora da doença da instituição'' porque ''tragédia pessoal de João Paulo II se une a uma tragédia institucional''. Este observador acredita que a versão oficial dada pelos cardeais da Cúria indicando que o Santo Padre continua governando a Igreja Católica é ''uma ficção''. O poderoso cardeal alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou na quinta-feira que o Papa está ''lúcido e dirige a Igreja'' e que não havia um problema em relação à direção da Igreja.


