Saúde de Fidel vira segredo de Estado
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quarta-feira, 02 de agosto de 2006
Carlos Batista<br>France Presse 
Havana- Guerrilheiro até na convalescença, Fidel Castro transformou o diagnóstico sobre sua saúde em ''segredo de Estado'', argumentando que os Estados Unidos podem utilizá-lo como pretexto para atacar militarmente a ilha.
A ''mensagem do Comandante ao povo de Cuba e aos amigos do mundo'' divulgada ontem não permite aos cubanos se inteirar do verdadeiro estado em que está o presidente, qualificado apenas de ''estável''.
Ninguém sabe se Fidel Castro está bem ou mal em sua condição de ''estável''. O presidente de Cuba pediu paciência à população e avisou que o diagnóstico sobre seu estado de saúde será um ''segredo de Estado'', devido aos ''planos do império (os Estados Unidos)'' para a ilha.
Essa discrição sobre a saúde de Fidel Castro foi a marca do regime cubano durante quase 48 anos. O presidente sempre se empenhou em ostentar força física e vigor para consolidar a imagem de ''invencível Comandante''.
''Circunstâncias como essa representam uma ameaça a nosso país, devido aos planos dos Estados Unidos'' para Cuba, argumentou Fidel Castro na declaração durante a qual, pela primeira vez, ele delegou os principais poderes a seu irmão Raúl.
Muitos cubanos fazem perguntas aos médicos, que respondem que a informação pública é insuficiente e que os sangramentos intestinais podem ter diversas causas.
No entanto, todos concordam sobre o fato de que os sangramentos são preocupantes em um paciente de 80 anos que foi submetido às pressas a uma cirurgia. De fato, o período entre a última aparição pública do presidente - em 26 de julho - e a operação foi insuficiente para a preparação médica adequada.
A Casa Branca foi cautelosa em sua reação. Segundo seu porta-voz, Tony Snow, ''o fato de que um autocrata transfira o poder a seu irmão não marca o fim da autocracia''. No entanto, várias opiniões emitidas nos Estados Unidos reforçam a tese de que o estado de saúde do presidente cubano pode ser aproveitado por Washington.
O secretário americano do Comércio, Carlos Gutiérrez, de origem cubana, declarou que ''chegou a hora de uma verdadeira transição para uma autêntica democracia em que sejam respeitados os direitos humanos e a dignidade das pessoas''.
O líder da minoria democrata no Senado, Harry Reid, pediu ao presidente George W. Bush que elabore ''um verdadeiro plano'' para ajudar os cubanos a conseguir ''a liberdade que merecem''.
Pela primeira vez na história da revolução cubana, Fidel Castro, que completará 80 anos em 13 de agosto, delegou temporariamente suas funções na segunda-feira a seu irmão Raúl.


