Sars pode reaparecer, alertam especialistas
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quarta-feira, 18 de junho de 2003
France Presse 
Kuala Lumpur- Especialistas de todo o mundo advertiram ontem que não é momento de cantar vitória sobre a Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars), afirmando que existem riscos da reaparição da epidemia de pneumonia asiática e de outras doenças infecciosas.
Os participantes na conferência, reunida em Kuala Lumpur pela Organização Mundial da Saúde (OMS), avaliaram que a doença, que causou a morte de 800 pessoas no mundo, foi uma advertência que deve incentivar os poderes públicos a investir na questão da saúde pública e corrigir falhas estruturais.
''É muito cedo para se mostrar demasiado confiante. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas acredito que a Sars foi uma boa advertência. Colocou em evidência nossas falhas e nos ajudará a nos preparar para o próximo alerta'', declarou Alan Schnur, representante da OMS na China.
Dan Rutz, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, acredita que as ''doenças infecciosas não vão desaparecer, pelo contrário, surgirão novas enfermidades e devemos permanecer alertas''.
Um funcionário da OMS alerta a comunidade internacional para não repetir o erro cometido por Toronto (Canadá), que teve de enfrentar uma segunda onda de Sars no final de maio, depois de ter acreditado que a epidemia estava controlada.
A luta contra a Sars e novas doenças infecciosas tem um preço, afirmaram vários delegados. ''Todo mundo está de acordo com o fato de que tem que ser preparado, mas ninguém desembolsou dinheiro'', lembrou Mohamed Said Patel, consultor da OMS.
Depois de vários meses de esforços internacionais, a epidemia de pneumonia asiática parece estar controlada e a OMS retirou na terça-feira a medida que desaconselhava viagens a Taiwan, que vigora agora somente para Pequim.
Apesar disso, um alto funcionário da OMS advertiu sobre o risco do ressurgimento da doença com o frio. ''Pode reaparecer em Hong Kong e na província chinesa de Cantão em novembro'', afirmou Dick Thompson, destacando que, na falta de um teste de diagnóstico rápido, de remédios para tratamento e de uma vacina, a melhor maneira de conter a doença é a conscientização da população.
A conferência de Kuala Lumpur reuniu durante dois dias mil cientistas, médicos e funcionários do governo, que discutiram as causas e o tratamento da Sars.


