Bam, Irã Saques em grande escala complicam os esforços internacionais de envio de ajuda para as vítimas do terremoto de Bam, no sudeste do Irã, para impedir a propagação de doenças, afirmaram ontem autoridades locais. As forças de segurança proibiram o acesso dos veículos à cidade, exceto caminhões ou automóveis que transportam ajuda humanitária e equipes de socorro, disseram à AFP autoridades da província de Kerman, onde aconteceu a catástrofe. Os jornalistas também obtiveram autorização para entrar em Bam.
Esta iniciativa tem como objetivo impedir os saques dos caminhões de ajuda humanitária observados no domingo na cidade quando o fluxo de veículos que levam a Bam membros das famílias preocupados ou em luto paralisou o tráfego.
Na ocasião, os caminhões com ajuda humanitária foram atacados por saqueadores. Quando finalmente conseguiram entrar na cidade, suas cargas já tinham sido quase totalmente roubadas.
Bam corre o risco de ser colocada de quarentena, já que a missão de resgate se transforma em uma busca de corpos e é necessário evitar que epidemias sejam desencadeadas, segundo uma fonte do governo da província.
Membros das equipes de socorro afirmaram querer levar grandes quantidades de desinfetante. A esperança de encontrar sobreviventes sob os escombros diminui com o passar das horas. O tremor, que aconteceu na sexta-feira às 5h28, causou cerca de 30 mil mortes segundo os números mais recentes. Vinte mil corpos já foram sepultados.
Ajuda dos EUA Os Estados Unidos ofereceram uma ajuda humanitária significativa ao Irã para atender às vítimas da catástrofe provocada pelo terremoto de Bam, mas insistem em destacar que sua política em relação a Teerã não sofreu nenhuma alteração. ''Não se deve dar uma conotação política a esta iniciativa'', declarou domingo um porta-voz do Departamento de Estado, Lou Fintor. ''Há uma catástrofe humanitária no Irã e nossa única missão é reduzir os sofrimentos humanos depois do tremor de sexta-feira'', acrescentou.
''Nossos esforços não vão modificar o tom e a intensidade de nossos contatos com os iranianos em relação aos temas de grande preocupação'', destacou Fintor. As primeiras equipes de socorro americanas chegaram a Bam domingo.
Os Estados Unidos e o Irã romperam relações diplomáticas em 1980, depois que diplomatas americanos foram mantidos como reféns durante por quase 18 meses entre 1979 e 1980 na embaixada americana em Teerã, depois que se instaurou uma república islâmica no país.
O Irã foi incluído em janeiro do ano passado no ''eixo do mal'', grupo dos países que apóiam o terrorismo, segundo o presidente americano, George W.Bush. Nesta lista, o dirigente também colocou o Iraque e a Coréia do Norte.
Mas assim que a notícia do tremor foi transmitida, o próprio Bush enviou suas condelências ao povo iraniano e anunciou a ajuda de seu país. ''Envio minhas condolência a todos aqueles afetados por esta tragédia'' disse.

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