São Paulo - Especialistas suspeitam que os saques de antiguidades em Bagdá foram ações bastante organizadas que podem até mesmo ter sido preparadas fora do Iraque. A Unesco reuniu 30 especialistas em Paris para discutir o futuro da importante herança cultural do Iraque berço de algumas das mais importantes civilizações da história, como as dos sumérios, assírios e babilônios.
Alguns deles acreditam que nem todos os saques de artigos culturais foram resultados apenas do caos que tomou conta da capital iraquiana após a chegada dos americanos. ''Parece que uma parte dos saques foi uma ação deliberada e planejada'', disse McGuire Gibson, da Universidade de Chicago, que é o presidente da Associação Americana para Pesquisa em Bagdá. ''Eles conseguiram ter acesso a chaves de compartimentos e foram capazes de retirar importantes artigos mesopotâmicos que estavam guardados em cofres'', disse. ''Eu suspeito que isso foi organizado fora do país na verdade, estou bem seguro disso.''
Os especialistas reunidos pela Unesco afirmam que ainda é muito cedo para estabelecer o quanto foi levado da herança cultural e histórica iraquiana. O diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, defendeu que a ONU aprove uma resolução impondo um embargo temporário ao comércio de antiguidades iraquianas.
Algumas pacientes de um hospital psiquiátrico de Bagdá foram estupradas por saqueadores que invadiram o prédio pouco depois de as forças norte-americanas terem entrado na capital iraquiana na semana passada, denunciou ontem o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Todos os 1.050 pacientes deixaram o hospital, declarou a Cruz Vermelha. A entidade disse que as condições no hospital eram difíceis porque saqueadores queimaram ou destruíram tudo o que não puderam roubar.

mockup