Saques ampliam crise entre ELK e Otan
Associated Press
Em meio ao êxodo maciço dos moradores de etnia sérvia de Kosovo, a tensão entre os soldados da força de paz internacional, a Kfor, e os rebeldes da guerrilha Exército de Libertação de Kosovo (ELK) aumentou ontem em algumas cidades da província.
Os casos cada vez mais numerosos de saque e violência, somados aos de simples vingança contra os kosovares sérvios, estão agora entre as principais preocupações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da ONU.
A situação é particularmente tensa em Prizren, onde três ciganos procuraram as tropas alemãs que tomam parte da Kfor para denunciar terem sido torturados por combatentes do ELK.
Ontem, o presidente checo Vaclav Havel visitou Kosovo por duas horas e discutiu a questão da segurança dos sérvios com o general Fritz von Korff, que comanda as tropas alemãs em Prizren. O militar afirmou a Havel que suas tropas encontraram instrumentos de suplício no edifício apontado pelos ciganos como sede de um centro de torturas do ELK.
O secretário-geral da Otan, o espanhol Javier Solana reiterou ontem que todos os autores de atos de vingança contra os sérvios de Kosovo serão castigados. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, também expressou preocupação com a situação dos poucos sérvios que ficaram em Kosovo: Temos de cuidar para que os sérvios, que de certo modo já são vítimas de seus líderes, não sofram um castigo duplo.
Os atos de retaliação dos albaneses só poderão ser contidos eficientemente com a chegada de todo o contingente de 50.000 soldados que deverão integrar a força internacional de paz em Kosovo, segundo o comandante militar da Kfor, general Michael Jackson.
Ele voltou a pedir ontem que os países que formam a Kfor enviem os soldados o mais rápido possível. Com a força completa, Jacson crê que será mais fácil vigiar e desarmar os rebeldes do ELK.
Em Pristina, oficiais ligados à força de paz da Otan informaram que pelo menos três pessoas foram mortas em Kosovo e os soldados da força de paz da Otan, que tentavam manter a calma na região, foram alvo de disparos.
Na capital Belgrado, numerosos espectadores de uma partida de futebol repetiram frases contra o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, pedindo sua renúncia a atribuindo a ele a culpa pela virtual perda da província sulista de Kosovo.
Os soldados italianos da Organização do Tratado do Atlântico Norte encontraram ontem o cadáver de uma mulher na aldeia de belo Polje, incendiada e saqueda por albano-kosovares. A mãe da mulher, que sangrava e mostrava marcas de golpes, disse ter sido violentada por albaneses uniformizados.
Ontem, dois aviões da força aérea russa transportando equipamentos técnicos e especialistas em aviação voaram rumo a Kosovo, encontrando-se com nove caminhões russos provenientes da Bósnia com provisões no aeroporto de Pristina.
Os albaneses étnicos compunham mais 90% da população da província sérvia de Kosovo antes do início dos 78 dias de ataque aéreo da Otan - que tinha como objetivo frear os massacres perpetrados por policiais sérvios na região.
Após passar várias semanas em campos de refugiados nos países vizinhos, os albaneses começaram a voltar para casa depois de um acordo que pôs fim ao bombardeio aéreo e permitiu a entrada da força internacional na província.Expectativa é de que a chegada de 50.000 soldados para integrar a força de paz reduza a violência contra sérvios de Kosovo
Jean-Philippe Ksiazek/France PresseMedoCriança cuida de bebê em um campo de refugiados ciganos na cidade de Leposavi, ao norte de Kosovo. A situação é particularmente tensa em Prizren, onde três ciganos procuraram as tropas alemãs que tomam parte da Kfor para denunciar terem sido torturados por combatentes do Exército de Libertação de Kosovo





