São 103 agora os reféns na Embaixada
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
De Pablo Pereira, da Agência Estado, de Lima 
Os guerrilheiros do MRTA libertaram ontem, às 17h30, o embaixador da Guatemala, José Maria Argueta, reduzindo para 103 o número de reféns mantidos desde o dia 17 no interior da casa do embaixador japonês. O diplomata afirmou ao sair que havia sido libertado em um gesto de reconhecimento por parte dos guerrilheiros ao processo de paz que deve ser assinado dia 29 entre o governo e a guerrilha guatemaltecos.
No início da tarde, os delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Roland Bigler e Steven Andersen, disseram na sede da entidade que não havia qualquer informação sobre eventuais feridos na explosão que ocorreu na madrugada de ontem na casa do embaixador do Japão. De acordo com Bigler, até o início da tarde a única informação era a de que teria havido uma explosão acidental, provocada por um animal que teria ativado algum dispositivo armado pelo MRTA.
Mas isso não está confirmado, afirmou Bigler. Ele explicou que logo após a explosão o delegado da Cruz Vermelha, Jean Pierre Shaerer, tentou entrar na casa para saber se havia necessidade de ajuda urgente, mas não foi autorizado pelos guerrilheiros.
Durante toda a madrugada o clima permaneceu tenso no cerco policial que controla a região da rua Thomas Edison, onde fica a casa no bairro San Isidro. Segundo Bigler, a Cruz Vermelha não sabia informar o local exato no qual estava o explosivo detonado. As rádios de Lima comentavam durante a manhã que os guerrilheiros haviam espalhado minas pelo jardim e nas principais entradas da casa para evitar uma eventual invasão do local pela polícia. Na área, entretanto, um coronel que comandava a tropa, que se negou a revelar sua identidade, não quis comentar o caso. Não há qualquer informação sobre feridos ou do local da exploão, limitou-se a declarar.
Na Cruz Vermelha, os assessores disseram ainda que dois médicos e uma enfermeira deveriam passar, desde ontem, a prestar assistência cotidiana aos reféns. Eles voltaram a afirmar que há um guerrilheiro ferido na perna.
Na edição de ontem, o jornal Expresso, de Lima, divulgou notícia da Agência EFE, afirmando que o governo japonês investiga ligações entre os guerrilheiros do MRTA e do grupo terrorista Exército Vermelho Japonês (EVJ). A informação foi negada por uma diplomata do Japão em Lima. Na casa, onde uma bandeira do MRTA permanece exposta numa das janelas laterais, pela primeira vez foi visto um guerrilheiro armado com um fuzil.


