Sanção pune iraquianos, mas não atinge Saddam
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quarta-feira, 02 de agosto de 2000
Associated Press De Bagdá 
Há uma década as Nações Unidas punem o Iraque com sanções comerciais pela invasão do Kuwait. Ontem, no 10º aniversário da invasão, estava claro que as punições devastaram a nação de 22 milhões de habitantes.
Mas os iraquianos comuns têm pouca ou nenhuma influência no cenário político do país. Enquanto as sanções enfraqueceram a máquina militar iraquiana, elas não minaram o poder do presidente Saddam Hussein.
O destino da tentativa da ONU de desarmar o Iraque continua incerto, com o governo local recusando-se a permitir a entrada de uma nova equipe de inspeção para substituir os especialistas em desarmamento que deixaram o país pouco antes de Estados Unidos e Grã-Bretanha iniciarem ataques aéreos em dezembro de 1998 para punir Bagdá por não colaborar com os inspetores.
As sanções devem ser mantidas em vigor até que inspetores de armas da Organização das Nações Unidas se certifiquem que as armas biológicas, químicas e nucleares do Iraque e os mísseis usados para carregá-las tenham sido destruídos.
Mas o ministro de Relações Exteriores da França, Hubert Vedrine, pediu ontem o fim das cruéis, ineficazes e perigosas sanções. Elas são cruéis porque punem exclusivamente o povo iraquiano e os mais fracos entre eles. Elas são ineficazes porque não tocam no regime, que não é encorajado a colaborar. E são perigosas porque acentuam a desintegração da sociedade iraquiana, disse o chanceler francês.
Também, Scott Ritter, um ex-inspetor de armas da ONU que pressionava duramente para o Iraque obedecer as resoluções das Nações Unidas, estava no Iraque durante o aniversário. Ele disse acreditar que as sanções são uma carga cruel aos iraquianos comuns e não mais necessárias.
Ritter está fazendo um documentário na esperança de afastar a idéia de que o Iraque ainda apresenta uma ameaça a seus vizinhos. Ele afirmou ontem que o Iraque não foi desarmado 100%, (mas) em termos do que eles executaram não existem armas nem capacidade de produção de armas significativas hoje no Iraque.
O Iraque arrecada bilhões de dólares por intermédio do programa da ONU, mas sua economia ainda está arrasada, com cerca de 70% de sua produção industrial e serviços fora de ação, segundo o professor de economia Humman al-Shamma, da Universidade de Bagdá.
Al-Shamma disse que apesar de o programa de troca de petróleo por comida ter evitado a fome em grande escala no país, ele não atende a questões prementes como o desemprego, forte queda do poder aquisitivo e o quase colapso da economia.
Antes de invadir o Kuwait, o Iraque possuía um refinado sistema de saúde pública, modernas redes de telecomunicações, 24 usinas elétricas e um sofisticado sistema de tratamento de água com uma renda per capita de US$ 3.500. Hoje, exceto Bagdá, a maioria dos iraquianos dispõe de apenas seis horas por dia de eletricidade. O acesso à água tratada caiu consideravelmente.
Enquanto isso, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Philip Reeker pediu novamente a Saddam Hussein que permita a entrada dos inspetores de armas da ONU para a retomada dos trabalhos os quais são proibidos de fazer desde 1998.


