San Francisco permite união oficial de lésbicas
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004
France Presse 
San Francisco - A cidade de San Francisco, na Califórnia, conhecida por suas medidas progressistas, fez história ontem ao conceder uma certidão de casamento oficial a um casal de lésbicas, despertando o interesse de centenas de homossexuais, mas também uma série de ações contra o prefeito, promotor da cerimônia.
Ontem, duas lésbicas idosas disseram ''sim, aceito'' na prefeitura da cidade, depois que o prefeito Gavin Newsom pediu aos funcionários municipais que permitissem a união oficial de casais homossexuais. A medida desafia a lei da Califórnia, onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo é proibido.
''Estamos casadas'', comemorou, radiante, uma das beneficiadas, no fim da cerimônia, com cerca de 20 testemunhas, que selou uma relação de 50 anos. A funcionária da prefeitura Mabel Teng oficiou a união entre Del Martin, de 83 anos, e Phyllis Lyon, de 79, e ao invés de concluir com o tradicional ''eu os declaro marido e mulher'', usou ''esposas para sempre''.
O casamento deverá provocar uma enxurrada de ações na Justiça. Por isso, os funcionários da prefeitura tentavam correr contra o relógio para unir o maior número possível de casais gays presentes na lista, antes que chovam os processos que poderão impedir os novos casamentos.
O cartório da cidade era palco ontem de uma insólita imagem: uma longa fila de casais do mesmo sexo dispostos a trocar os votos matrimoniais. San Francisco tem uma das comunidades homossexuais mais representantivas dos EUA e é conhecida por seu ativismo gay nos anos 60.
A decisão do prefeito esquentou o debate sobre um assunto sensível aos americanos e em pleno período eleitoral. Ontem o Congresso de Massachusetts discutia mais uma vez uma fórmula para emendar a Constituição estadual para proibir esse tipo de união. A legislação de Massachusetts é o centro das atenções neste sentido desde novembro passado, quando a Suprema Corte estadual decidiu que negar o direito ao matrimônio a casais do mesmo sexo violava a Constituição do Estado.


