Samper admite duro golpe da guerrilha
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Reuter 
France PresseGuerraO Exército enviou reforços para a região de Caquetá. Aproximadamente mil soldados enfrentam cerca de 400 rebeldes do chamado bloco sul das Farc O presidente colombiano, Ernesto Samper, chegou ontem de manhã à base militar de Três Esquinas, no sul do país, a mais próxima do local onde, há sete dias, soldados do Exército travam violentos combates com guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Uma ofensiva das Farc, iniciada no domingo, contra um posto avançado do Exército numa região montanhosa no meio de uma selva no departamento (província) de Caquetá causou a morte de dezenas de soldados.
Numa declaração feita na base, Samper admitiu que o Exército sofreu um duro golpe nos combates, assinalando que ainda não há como estabelecer uma cifra oficial de baixas.
Na hora do ataque das Farc, cerca de 150 soldados estavam no posto avançado. O subcomandante do Exército colombiano, general Fernando Tapias, afirmou na quinta-feira que os combates tinham deixado mais de cem mortos, entre soldados e guerrilheiros.
Porta-vozes das Farc informaram, também na quinta-feira, que os rebeldes haviam matado 70 soldados. Ontem, num relato a emissoras de rádio, um comandante da guerrilha forneceu novos números: 80 soldados mortos, 30 feridos e 43 capturados. Segundo a mesma fonte, a guerrilha apoderou-se também de 89 fuzis, seis metralhadoras, oito lançadores de granadas e outras armas.
Reforços foram enviados à região, e aproximadamente mil soldados do Exército levam adiante os combates com os cerca de 400 rebeldes do chamado bloco sul das Farc, que se escondem na região. O avanço das forças governamentais é apoiado por aviões e helicópteros, que têm bombardeado a região.
De acordo com Víctor Hormiga, prefeito do povoado de Cartagena do Chairá, na região dos combates, um desses bombardeios causou ontem a morte de uma família de quatro camponeses. Outras autoridades do povoado afirmaram que 23 civis morreram no fogo cruzado entre o Exército e os combatentes das Farc.
Em Bogotá, porta-vozes do Exército têm atribuído a demora na divulgação do número oficial de baixas às dificuldades de comunicação com os destacamentos militares que entraram na selva com a missão de recolher os cadáveres e socorrer os eventuais feridos.
Relatos de alguns integrantes desses destacamentos à emissora Radionet indicavam que o posto militar atacado pelas Farc foi completamente destruído, dezenas de cadáveres foram abandonados pelo caminho e nenhum sobrevivente foi encontrado.
Mesmo sem a divulgação do número exato de mortos, a ofensiva das Farc já é considerada a pior derrota do Exército colombiano em seus mais de 30 anos de história de combate a guerrilhas.
O conflito também se dá às vésperas das eleições parlamentares de domingo, que as Farc e outra guerrilha, o Exército de Libertação Nacional (ELN), decidiram boicotar. As Farc e o ELN têm lançado ataques terroristas em outras regiões do país como parte da campanha de boicote ao pleito. A votação renovará toda a Câmara Federal e todo o Senado colombiano.
Numa entrevista coletiva, o ministro da Defesa, Gilberto Echeverri, e o do Interior, Alfonso López, afirmaram que as eleições não serão suspensas em nenhuma localidade do país por causa da ação dos guerrilheiros.
Mas o conflito pode trazer prejuízo eleitoral para o governante Partido Liberal, de Samper - que vinha sendo apontado como favorito pelas pesquisas de opinião. A oposição tem atribuído a catástrofe militar a uma decisão de Samper, que em julho do ano passado ordenou a desmilitarização da região de Caquetá, cedendo a uma exigência da Farc para que a guerrilha libertasse 70 soldados que estavam em seu poder.


